quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dependência Química e Alcoolismo Historia e Tratamento Pt. IV


Nos anos 50 e 60 Jellinek definiu o alcoolismo como doença para casos
onde estivessem presentes a tolerância, a síndrome de abstinência e a perda de
controle e admitiu que a doença poderia receber influências de aspectos culturais,
demográficos, políticos e econômicos. Como também desenvolveu uma
classificação do alcoolismo bastante difundida na época, principalmente por
países anglo-saxônicos. Ele acreditava que o conceito de doença ampliaria o
acesso aos serviços médicos.

A década de 60 caracterizou-se pelo aparecimento de modelos comportamentais
para o tratamento dos transtornos aditivos e pelas críticas de diversos pesquisadores
comportamentais e sociais ao conceito de doença, acirrando os debates acerca
da validade dos conceitos desenvolvidos até então.

A Organização Mundial de Saúde, depois da Segunda Guerra, assume a
responsabilidade dos conceitos referentes ao álcool e demais drogas, e busca
trazer a discussão da esfera do controle para a dos conceitos e definições.

Na década de 50: as definições de adicção adotadas pela OMS enfatizando o
fator bioquímico são redefinidas em 1957 quando se inclui o item “desejo físico
irresistível acompanhado de fatores psicológicos”

Em 1964: adição e hábito são incorporados no conceito único “dependência
de drogas”

Final dos anos 70: descobertas de outros pesquisadores, dentre eles Edwards
conduzem ao surgimento dos critérios para síndrome de dependência de álcool,
depois estendido as outras drogas no DSM-III-R,DSM-IV (Classificação da
Psiquiatria) e na CID-10 (Classificação Internacional de Doenças)

Década de 70 e 80: a perspectiva behaviorista (comportamental) retoma seu
posicionamento de oposição a concepção de doença, trazendo influência para os
conceitos

1977: a OMS associa “síndrome de dependência de álcool” á idéia de
“deficiências relacionadas ao álcool”, reunindo dependência física e psicológica, o
que suscitou controvérsias

Década de 80: a definição de uso problema proposta por sanitaristas,
epidemiologistas e economistas é a tônica dos discursos a respeito de uma nova
saúde pública, com ênfase nos cuidados primários, planejamento de saúde e nos
indicadores de saúde. Porém, o eixo base da dependência continua na prática
clínica.

A discussão acerca do transtorno decorrente do uso de drogas tem buscado
incluir outros riscos associados como a história familiar, idade, estilo de vida e
fatores do meio ambiente.

O Brasil se coloca como país que não passou pelo “movimento de Temperança”
propriamente dito. Contudo, pode-se dizer que apresentou algum movimento
 de repressão com relação ao álcool. A associação deste com a psiquiatria
e com a justiça também é antiga.

No decorrer da história da própria psiquiatria no Brasil foram incorporadas
diversas ideias europeias grande parte eugênicas, no tratamento do doente e da
doença mental. Processo similar ocorreu no que tange ao tratamento do
alcoolismo.

Até os anos 20 e 30 o consumo do álcool não era encarado como problema no
Brasil, mas em 1931 a LBHM passa a focar suas atenções novamente no
alcoolismo, apesar dos dados demonstrarem que nesse período, o número de
internações por alcoolismo estava diminuindo. Assim a psiquiatria no início do
século, saber dominante na temática do alcoolismo foi responsável, de certo
modo, pela chegada de um saber jurídico no âmbito da repressão ao consumo do
álcool.

O código penal de 1940 expressa a visão brasileira acerca dessa problemática.
Seu conteúdo é claramente repressivo, propondo a punição como
forma de recuperação para o transgressor da lei. Na década de 50 a preocupação
com o uso do álcool passa a dar lugar às drogas arroladas como ilegais.

Apesar do álcool nunca ter sido considerado droga ilícita, já que aqui não
houve o “movimento proibicionista” da “lei seca”, o consumidor começa a sofrer
sanções legais. Um exemplo disso é da lei que restringe a compra de bebidas por
menores de 18 anos, que na prática não se cumpre.

A questão da dependência de drogas é ainda hoje, avaliada pela perspectiva
psiquiátrica ou jurídica. O que se expressa nas representações da sociedade de
modo geral e dos próprios dependentes de drogas.

Diferentemente dos EUA que integra a visão médica (de doença) e jurídica
no tratamento, o Brasil mantém-se numa perspectiva mais moralista, onde a
dependência é vista como defeito da pessoa, simbolizada nos termos “viciado e
infrator”.

A concepção de que a dependência de drogas é resultante de três fatores: a
droga, a pessoa que a utiliza e sua personalidade construída através da sua história
e o contexto sócio-cultural onde a droga está inserida, com seus valores, padrões e
influências, atualmente é amplamente aceita.

A perspectiva adotada pela maioria dos especialistas considera o fenômeno
da dependência de drogas nessa direção, como algo constituído por múltiplos
aspectos- físicos, psíquicos e sociais – compreensão biopsicossocial. Por isso a
oferta de tratamento nessa área, com a participação de várias especialidades da
chamada equipe multidisciplinar, é tão recomendada.

Nossa prática na assistência a esse público confirma a existência de um ou
outro saber hegemônico de acordo com o contexto institucional. Geralmente
predomina o discurso médico- o que faz sentido quando retomamos a história da
evolução dos conceitos e do tratamento das adições no mundo e no Brasil - e em
seguida a visão psicológica, ou ambas disputam a hegemonia dentro da correlação
de forças institucionais. O que é comum mesmo é praticamente a inexistência de
uma ênfase mais sociológica. Ainda que no discurso se contemple o social a
experiência cotidiana demonstra que o biológico e o psicológico prevalecem
como formas de compreensão e abordagem do fenômeno da dependência química.

Carmelo J. Serra

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Dependência Química e Alcoolismo Historia e Tratamento Pt. III

O uso das drogas passa a ser encarado como um problema por certas
sociedades num determinado momento histórico, nesse contexto
aparecem as noções de dependência de drogas ou de perda de controle da
substância, vista como causadora de prejuízos de várias áreas da vida do indivíduo
e, para lidar com isso, surgem vários tipos de tratamentos para controlar este
problema.

Os estudos sobre tais tratamentos em sua maioria foram desenvolvidos pela sociedade
americana e o álcool se constitui como substância principal de investigação num
primeiro momento, se estendendo as outras substâncias posteriormente.

Atualmente ao se falar de drogas, inclui-se tanto aquelas descritas como lícitas,
quanto as ilícitas.

O Movimento de Temperança ocorreu nos EUA e em alguns países
europeus ao longo do século XVII e principalmente do XVIII e configurou-se
como um marco de uma posição mais liberal com respeito ao uso do álcool para
outra mais moralista, ligada a Igreja Protestante. Os bêbados eram
questionados se não estavam desperdiçando a “ boa criatura dos deuses”, contudo
ainda assim eram tolerados na sociedade. Somente no final do século XVIII é que
a literatura específica começa a relatar sobre os homens “degenerados”, e
“subjugados a bebida”. E em 1810 o álcool passa a ser tratado como doença pelo
médico Benjamim Rush.

Para Rush, os bêbados eram adictos a bebida e a dependência se dava de maneira
progressiva e gradual. Assim os adictos deveriam abster-se dela de modo
repentino e abrupto. Pensamento este presente na maioria das propostas de
tratamento da atualidade, ainda predominante nos EUA e que muito influenciou a
filosofia dos grupos de mútua-ajuda, como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos
Anônimos.É uma das formas de tratamento mais difundidas no mundo e até hoje
está presente na maioria das instituições de assistência.

Os Alcoólicos Anônimos (AA) surgiu nos EUA na década de 30 e se
espalhou por todo mundo. Foi criado por dois dependentes do álcool
que descobriram na conversa entre “iguais” uma forma de ajuda para seu
sofrimento e assim criaram uma filosofia de recuperação baseada nos 12 Passos
para conseguir a abstinência. Como características principais estão a não
participação de profissionais no programa e a utilização da concepção de doença,
desenvolvida pela medicina. Narcóticos Anônimos (N.A) surgiu mais tarde,
destinado aos dependentes de outras drogas mas com a mesma filosofia de
recuperação do A.A.

O Movimento de Temperança perdeu força no final
do século XIX, sendo substituído por uma geração que mudou a filosofia anterior.

Este ficou conhecido como movimento Proibicionista. Aqui a visão se amplia da
substância para o sujeito e o problema passa a ser atribuído não ao álcool
propriamente dito, mas ao indivíduo que não sabe se controlar e que não é
considerado vítima, mas “uma peste e ameaça” a sociedade.

Nesse período o foco dos estudos migrou dos conceitos da adição estudados
por diversos médicos para a relação do álcool com os acidentes e crimes. Essas
questões induzem o problema a ser alvo de interferência do campo jurídico e
esvaziam o interesse dos especialistas da medicina em pesquisarem o tema. Mas
no século XX, entre a primeira e a segunda Guerra Mundial, ocorreu a associação
entre o conceito de alcoolismo e adição e a introdução da psicologia neste campo
temático, contribuindo para a expansão da psiquiatria e para a construção de um
discurso novo e especializado, que veio a influenciar o surgimento de clínicas
ambulatoriais e a aplicação de técnicas psicoterápicas na abordagem de
dependentes químicos e alcoólatras.

A visão criminal dura até 1948, quando outras idéias sobre “reabilitação”
apareceram, e hospitais penais com a oferta de tratamento específico para a
dependência de drogas são criados. Surgindo em 1953, na Califórnia, a
modalidade de tratamento denominada Comunidade Terapêutica que associava
conceitos de comunidades terapêuticas psiquiátricas com os conceitos
desenvolvidos pelo A.A.

O Daytop Village vinculado ao Departamento Jurídico do Brooklin coloca-se
como uma “nova geração” de comunidade terapêutica trabalhando numa
perspectiva que reunia conceitos jurídicos e criminais.

Com a aplicação da visão médica no tratamento dos dependentes de drogas,
surgiu no sistema privado um modelo inédito que consistia em aplicar os
conceitos do A.A com a assistência dos profissionais de saúde. A proposta foi
desenvolvida num hospital em Minnesota, hoje conhecida como “modelo
Minnesota”, e introduziu a participação de adictos em recuperação como
terapeutas leigos no tratamento dos dependentes de drogas, os chamados
conselheiros em dependência química. A profissão já foi regulamentada nos EUA,
mas no Brasil ainda em vias de se legitimar oficialmente. O tratamento era
desenvolvido num processo de 28 dias de internação, tempo máximo que o seguro
de saúde americano cobria, e de 02 anos em acompanhamento ambulatorial.

Grande parte dos tratamentos no Brasil se originou ou ainda segue
princípios do modelo Minnesota.

Carmelo J. Serra

sábado, 10 de setembro de 2016

Substâncias Psicoatívas Historia e Tratamento pt II

Os barbitúricos, derivados a partir da uréia e do ácido malônico,  sintetizados desde 1903, amplamente consumidos para induzir o sono, até a  década de 60, quando o clordiazepóxido e em seguida os benzodiazepínicos,  foram introduzidos, pertencem ao grupo dos hipnossedativos e são depressores do sistema nervoso central. Na década de 50 os barbitúricos tiveram relação direta com muitas tentativas de suicídio e com casos onde estes foram consumados.
Sua grande oferta somada a falta de controle sobre a venda sem receituário médico e sobre a propaganda na mídia, tem levado muitos usuários a ficarem dependentes.
Outra droga que destaca são as anfetaminas, utilizadas num primeiro momento para substituir a cocaína. As anfetaminas são drogas sintéticas estimulantes do sistema nervoso central que inibem a sensação de fome, sono e cansaço.
Falando sobre o uso de anfetaminas, este se tornou comum pelos efeitos estimulantes entre estudantes, esportistas, militares e homens de negócios, e pelos efeitos antidepressivos e em regimes de emagrecimento e na Segunda Guerra Mundial foram consumidas pelas forças armadas de vários países. O Japão experimentou uma verdadeira epidemia onde em 1950 já havia cerca de 500 mil dependentes dessa droga, apesar das campanhas contra seu uso que eram feitas pelo governo.
Atualmente as anfetaminas ainda são muito usadas, nem sempre de forma responsável, como moderador de apetite.
O fenômeno do uso de drogas na sociedade ocidental está extremamente vinculado ao movimento da Contracultura iniciado ao final da II Guerra Mundial.
O movimento “beat”, com impacto especial no campo das artes foi o precursor de uma transformação que de início mobilizou jovens americanos, concomitantemente a guerra do Vietnã, e repercutiu no mundo, principalmente entre os jovens da Europa e da América Latina.
Eles propunham uma crítica radical a sociedade de então. Enfatizavam a liberdade individual associada a causas sociais de diversos tipos. Autoridades como a família e o Estado foram contestados. Valorizava-se o erotismo assumido e exaltava-se a liberdade sexual. E o consumismo da sociedade de massas foi duramente criticado. o movimento hippie se colocou como a expressão mais conhecida desses valores, divididos em vários grupos e linhas e que o pacifismo era uma de suas bandeiras, reagindo contra a guerra do Vietnã. E o uso de drogas como a marihuana, haxixe, maconha e derivados constituiu-se como marca da relação deles com o mundo.
O LSD, cogumelos e outros tipos de alucinógenos também eram usados mas não de forma tão generalizada.Estas substancias têm a capacidade de interferir na percepção da realidade alterando a consciência, trazendo perturbações intelectuais e psicossensoriais.
De maneira geral estimulava-se o uso comunitário das drogas e no Brasil destacaram-se a maconha e o LSD Aqui, grande parte dos jovens engajados politicamente, usaram, com frequência diversificada, certos tipos de drogas, principalmente a maconha.
Nas últimas décadas do século XX a cocaína reaparece de modo epidêmico.
No Brasil, em finais dos anos 80, pela via de administração intranasal e endovenosa. E o final do século foi marcado pela associação entre consumo de drogas e infecção do HIV. A partir de 1990 o consumo do crack (uma mistura de cocaína e bicarbonato de sódio, aquecida e fumada na forma de pedra) teve grande
expansão, principalmente entre jovens com menos de 20 anos de todas as classes sociais mas sobretudo das classes mais baixas.
O potencial de dependência do crack e o baixo custo favoreceram muito o aumento de seu consumo. Em São Paulo existe até um local denominado de cracolândia, tamanha foi a sua disseminação. No Rio de Janeiro o crack não teve mercado e acredita-se que isso se deu em razão dos traficantes dos diversos
morros terem proibido sua entrada aqui por não interessar comercialmente. Ao contrário, prejudicaria o “movimento”* por causar dependência muito rápida interferindo assim na permanência do “cliente”*, pois pelas sérias consequências que é capaz de causar reduziria significativamente o potencial de consumo destes,gerando impacto nas vendas. Sabe-se que a cocaína é a droga por excelência nas “bocas”* do Rio de Janeiro. Apesar disso, um número cada vez maior de pacientes atendidos em instituições de tratamento do Rio de Janeiro relatam uso do crack aqui, o que na maioria se deve a fabricação ser “caseira”*.
Os agentes inalantes foram usados em todas as épocas por seus efeitos euforizantes. Cada época teve preferência por determinado produto. Atualmente são utilizados principalmente as colas (que contêm acetona, hexano e benzeno), os solventes, removedores e diluentes de tinta (contendo acetona), os anestésicos voláteis (o éter, protóxico de nitrogênio) e os gases (a gasolina e os gases do escapamento de automóveis).
O abuso de inalantes se deu a partir da década dos anos 60 nos EUA.
Já no Brasil estes têm sido usados desde cedo, principalmente a cola, fora das situações ocupacionais, por crianças e adolescentes de rua e por estudantes.
Como droga mais recente aponta o êxtase ou ecstasy, derivado sintético da anfetamina, conhecido como “droga do amor”- ideia difundida por autores que pregavam seu uso terapêutico – demarcando seu surgimento na Europa em finais da década de 80. Desde então seu consumo tem aumentado entre jovens de vários países, inclusive no Brasil.
Tecendo um análise sobre a história das drogas dentro do movimento hippie em relação ao quadro atual de consumo, é preciso diferenciar o contexto do uso de drogas dentro da proposta da contracultura, seja no mundo ou no Brasil, que associava-se a um ethos pacifista com flores e música, do contexto mais recente do consumo destas substâncias. Asdrogas passam a ser motivação para o desenvolvimento de um tráfico criminoso com redes de banditismo caracterizadas pelo uso indiscriminado da violência, que influenciou a vida das grandes cidades, inclusive, nas próprias relações sociais.


Carmelo J. Serra

Substãncias Psicoatívas Historia e Tratamento pt I

O uso de plantas alucinógenas sempre esteve relacionado à vida do homem.
Na América foram encontradas cerca de 100 espécies de plantas alucinógenas, e
na Europa e Ásia juntas, somente 10.
A cultura da papoula do ópio se originou na Europa e Ásia Menor e já foi
denominado de planta da felicidade. Há registros sumerios datados de 3000
anos a .C. que falam de seu uso medicinal e o próprio Homero o menciona como
algo “que faz esquecer o sofrimento” em sua Odisséia.
O ópio é um depressor do sistema nervoso central, com propriedades sedativas e analgésicas.
A morfina, heroína e codeína são dele derivadas. A morfina é um alcalóide de ópio usado como analgésico. A heroína é um derivado semi-sintético da morfina e é considerada uma droga ilícita.
No Brasil o ópio e seus derivados atualmente considerados substâncias ilegais já foram utilizados em várias medicações como em xaropes para tosse ou mesmo para “acalmar as criancinhas”, sendo vendido nas farmácias até o início do século XX. Já a China, por razões econômicas, se colocou como maior país de consumo do ópio até 1950
O consumo de álcool esteve presente como costume desde a antiguidade e
particularmente o vinho foi considerado uma dádiva dos deuses. Osíris deu-o aos egípcios, Dionísio o fez aos gregos e Noé aos hebreus. Os mosteiros da Idade Média plantavam vinhas para uso do vinho como sacramento.
O cânhamo origina-se da Cannabis sativa, espécie herbácea advinda da Ásia Central. Na antiguidade foi utilizado por sacerdotes indianos em cerimoniais por suas características inebriantes. Da Índia difundiu-se para o Oriente próximo e para países do norte da África.
A cannabis é utilizada nas seguintes formas: resina (haxixe), no estado natural, onde as folhas são colhidas, secadas e trituradas e então fumadas (maconha) e o haxixe líquido (destilado oleoso bastante concentrado) que pode ser sorvido e, até injetado por via venosa.
Há cerca de 2000 anos a medicina chinesa a utilizou como anestésico em cirurgias e a medicina indiana como hipnótico, analgésico e espasmolítico.
Na China foram encontrados os primeiros registros do cânhamo aproximadamente 4000 anos a.C.. Na Europa foi introduzido no século XIX por médicos ingleses que passaram pela Índia. Já no
Brasil, fortes evidências indicam que a maconha tenha sido trazida pelos escravos
africanos e se expandido por quase todo território e seu uso passado dos negros
para índios e brancos.
Os Estados Unidos a adotam como medicamento também no século XIX, mas ao final deste e no início do século XX houve um declínio de seu uso médico, possivelmente por razões técnico-farmacêuticas – o não isolamento de seu princípio ativo – e por problemas no campo legal e policial. O avanço científico nas áreas da química, botânica e farmacologia possibilitou identificar na planta, em 1964, o tetrahidrocanabinol como princípio ativo alucinógeno, como també identificou a existência de dezenas de outras substâncias canabinóides, isentas desses efeitos alucinógenos. Com isso os prováveis efeitos terapêuticos da
maconha voltaram a ser pesquisados na década de 70, e tem influenciado o debates obre sua descriminação.
Os conquistadores da América ficaram maravilhados com sua riqueza botânica. O Novo Mundo era fonte inesgotável com relação às drogas.
A cocaína é um estimulante natural extraído das folhas da Erythroxylon coca, planta que cresce nos Andes, principalmente na Bolívia e no Peru, como também no Equador e Chile. Os nativos da América do Sul tinham por hábito mascar suas folhas para suportar o trabalho em altitudes e a dieta inadequada.
É difícil saber ao certo quando o hábito de mascar as folhas da coca iniciou. Supõe-se que desde o século VI a. C. isto já ocorria por terem surgido evidências de que múmias tenham sido enterradas com componentes da folha.
No século XIX foi isolada a cocaína, alcaloide obtido da folha da coca.
Considerada euforizante, a cocaína foi utilizada como antídoto dos depressores do sistema nervoso e no tratamento do alcoolismo e da morfinomania. Nessa mesma época foi utilizada como anestésico local em cirurgia oftalmológica. A cocaína pode ser usada de várias maneiras: mascada (forma comum na cultura dos povos andinos), aspiração nasal (sendo absorvida diretamente na mucosa nasal) em injeções endovenosas e na forma cristalizada, fumada como cigarros, o chamado “crack”.
Em 1863, na Europa, o médico Ângelo Mariani lançou o vinho Mariani, feito das folhas da coca, que conseguiu grande prestígio tendo sido apreciado por pessoas de destaque como o Papa Leão XIII, Júlio Verne, Victor Hugo e o czar da Rússia. E nos EUA, em 1910 já haviam cerca de 69 tipos de vinho contendo cocaína. A própria coca-cola, refrigerante consumido mundialmente até hoje, tinha esta como ingrediente ativo até 1903, quando foi substituída pela cafeína.
No caso do Brasil, a cocaína esteve presente também em medicamentos para alívio de problemas respiratórios e que até o início do século XX não havia relatos de abuso ou grandes problemas com esta. A partir de 1910-1920 é que se inicia uma forte preocupação com o uso nãomédico da cocaína, principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Ao longo da história da humanidade, diversas substâncias foram usadas como estimulantes. Café, cafeína, estriquinina, arsênico, tabaco e nicotina são exemplos.

Carmelo J. Serra


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O que é a Internação Involuntaria




A internação involuntária é a prática de utilizar meios legais como parte de uma lei de saúde mental para internar uma pessoa em um hospital psiquiátrico, clínica ou enfermaria contra a sua vontade ou sob os seus protestos. No caso da internação involuntária do paciente dependente químico é realizada quando a sua capacidade psíquica é afetada momentaneamente devido ao abuso de substâncias psicoativas (drogas e álcool). O dependente não consegue mais escolher entre o consumo e a abstinência, ele está tão tomado pela doença e não consegue perceber os danos que causa a si e à sua família.

Existe tratamento involuntário?

Não. A internação é involuntária, mas o tratamento apenas tem êxito quando o paciente aceita e entende a necessidade do tratamento. A família deve procurar uma clínica de recuperação ou instituição que acolha o individuo assegurando seu bem-estar, com técnicas terapêuticas eficazes que possam oferecer a ele alternativas para um novo comportamento, sem drogas.

Porque é necessária a internação involuntária?

A internação involuntária é uma intervenção necessária, pois, quando o individuo já está tomado pela dependência, ele não consegue mais distinguir o que faz bem ou mal para si e sua família, podendo sofrer consequências graves, inclusive a morte. E a família, neste momento, deve ter a consciência de que internar, mesmo contra a vontade do paciente, é o caminho para que o indivíduo torne a ter uma vida sem a dependência das drogas.

É um procedimento legal?

Sim. A internação involuntária está prevista pela Lei 10.216, de 6 de abril de 2002, regulamentada pela portaria federal nº 2.391/2002/GM. Atenção: procure saber se a instituição que procurou respeita estas determinações legais, pois nem todas as entidades que prestam este serviço possuem autorização para realizá-lo.

O que diz a Lei sobre a internação involuntária?

Art. 2º. Definir que a internação psiquiátrica somente deverá ocorrer após todas as tentativas de utilização das demais possibilidades terapêuticas e esgotados todos os recursos extra-hospitalares disponíveis na rede assistencial, com a menor duração temporal possível. Art.4º Estabelecer que as internações involuntárias, referidas no art. 3.º § 2º, deverão ser objeto de notificação às seguintes instâncias: I – ao Ministério Público Estadual ou do Distrito Federal e Territórios onde o evento ocorrer, II – à Comissão referida no art. 10º. Art. 5º Estabelecer que a Comunicação de Internação Psiquiátrica Involuntária deverá ser feita, no prazo de 72 horas, às instâncias referidas no artigo anterior, observado o sigilo das informações, em formulário próprio (Termo de Comunicação de Internação Involuntária, modelo constante do Anexo desta Portaria), que deverá conter laudo de médico especialista pertencente ao quadro de funcionários do estabelecimento de saúde responsável pela internação. Parágrafo único. O laudo médico é parte integrante da Comunicação de Internação Involuntária, a qual deverá conter obrigatoriamente as seguintes informações

Qual a primeira etapa para solicitar a internação involuntária?

A partir do momento em que a internação é solicitada à clínica de recuperação ou instituição de saúde, o ministério público é informado, de acordo com as determinações da portaria federal nº 2.391/2002/GM e da lei 10.216. O processo é feito com diagnóstico médico, elaborado por psiquiatra e ou clínico especialista em dependência química.

Quem possui autorização para solicitar esta internação involuntária?

Apenas pessoas de ligação consanguíneas – ou seja, pai, mãe, irmão, tio, avô – têm autoridade para solicitar a internação involuntária. Cônjuges, por sua vez, não têm a permissão de autorizar este tipo de internação. Após estar ciente de todos estes detalhes sobre internação involuntária, a família pode estar segura de que há, no país, instituições altamente qualificadas para prestar este serviço, respeitando não somente estas normas, mas garantindo serviço eficaz e de qualidade.


Carmelo J. Serra

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Os 12 Princípios de Amor Exigente I




A vida esta norteada por princípios.

Desde a pessoa que obedece um comportamento assertivo, até quem por causas diversas se perde no percurso e adquire comportamentos contrários a sanidade, como um alcoolista ou um dependente químico, ou mesmo como a família codependente que pela dependência emocional perde funcionalidade, todos os seres humanos partem do fundamento dos princípios para escolher caminhos, consciente ou inconscientemente, decisões, e comportamentos.

Ao abordar a temática da codependenecia familiar percebesse que estes princípios de assertividade sofrem um enorme impacto negativo, por este motivo, uma vez que a família detecta os sinais e sintomas da codependencia se faz necessário um exame da política familiar e uma adequação destes princípios, a fim de que o núcleo familiar acompanhe o processo de recuperação individual da pessoa em tratamento, e ainda mas, se esta pessoa se encontra no uso de substancias psicoativas ou álcool, de forma nociva, a família se prepare e continue na busca da qualidade de vida do núcleo.

O Amor Exigente tem a sua raiz nos primórdios dos grupos de 12 passos de A.A., e desde o principio foi criado para familiares de portadores da doença do alcoolismo como uma forma da família acompanhar e se preparar para lidar com o dia a dia da pessoa em reabilitação ou mesmo antes dela se tratar.

Este grupo de autoajuda familiar se mostra eficaz no seu objetivo pois aborda um ponto de suma importância na vida de todo dependente químico e alcoólatra que é a retomada da vida em família durante e depois do tratamento.

Inicialmente o Amor Exigente foi formado por familiares de alcoólatras que se reuniam para esperar o fim das reuniões de A.A. onde eles não podiam se adentrar, começou aí enquanto as reuniões de A.A aconteciam, que esses familiares trocavam experiências e conversavam entre se e oferecendo apoio e ajuda uns aos outros, que na década dos anos 70 foram fundamentados os primeiros Princípios de Amor Exigente e foi nomeado este grupo com Tough Love ( nome original do grupo em inglês). Nesta época era 10 Princípios de reabilitação familiar os que norteavam o grupo, esses princípios foram criados pelos Psicólogos, Phillis e David York, fundadores do grupo  e familiares de alcoólatras participantes do programa de 12 passos de A.A.

No ano 1985 o Amor Exigente chega ao Brasil da mão do Padre Jesuíta Haroldo Rahm, ele foi quem deu o primeiro impulso para o grupo e a Sra. Maria Silvia Menezes, mãe de um dependente químico em tratamento organizou a primeira reunião em Campinas no Estado de São Paulo, e agregou dois princípios aos dez que originalmente o programa seguia.

A partir desse momento e seguindo o norte dos 12 Princípios de Amor Exigente o grupo foi crescendo, se espalhando pelo Brasil e América Latina contribuindo com a reabilitação de famílias codependentes.

A vida é norteada por princípios e quando os perdemos por alguma razão, sempre teremos a possibilidade de se achegar num grupo de Amor Exigente, e reencontrar o caminho.

Os 12 Principios de Amor Exigente II



 1º Princípio Básico do Amor- Exigente: Identificar. Os problemas da família, da escola e da comunidade  que têm raízes na estruturação atual da sociedade. Em linhas gerais, este Princípio identifica os valores, aquilo que somos e o que queremos ser. Trabalha os objetivos de cada pessoa, para que se ajudem mutuamente.

 2º Princípio Básico do Amor- Exigente: Humanizar. Os pais também são gente. Professores também são gente. Você também é gente. Quer dizer que não somos super heróis e nem somos perfeitos, ao contrário, devemos aceitar nossas limitações e nos perdoar sem perder a autoridade, o amor pela vida e nem desanimar por causa dos problemas.

 3º Princípio Básico do Amor- Exigente: Proteger. Os recursos são limitados Precisamos aceitar que não somos uma fonte ilimitada de recursos. Para isso, devemos avaliar e conhecer os próprios limites: físicos, emocionais e econômicos sabendo que nosso amor, maturidade, e disposição vencem quando aprendermos a ceder e compreender os limites dos outros.

 4º Princípio Básico do Amor- Exigente: Valorizar. Pais e filhos não são iguais. Professores e alunos não iguais. Você e eu não somos iguais. Cada um de nós tem um papel diferente. É importante assumir nossa missão de Pai, Professor ou Médico em fim, e orientar, nortear a conduta das pessoas, estabelecendo normas e regras que precisam ser respeitadas para o bem de todos.

 5º Princípio Básico do Amor- Exigente: Libertar. O sentimento de culpa torna as pessoas indefesas e sem ação. Acusar alguém ou alguma coisa para se livrar da responsabilidade do que não está dando certo com você ou com os seus nada resolve. Sem sentimento de culpa, de autopiedade ou de raiva, estaremos livres para agir e deixar que os outros cresçam, arcando com as consequências (boas ou más) do próprio comportamento.

 6º Princípio Básico do Amor- Exigente: Influenciar. O comportamento dos filhos afeta os pais; o comportamento dos pais afeta os filhos. O comportamento do aluno afeta o professor; o comportamento do professor afeta o aluno. Meu comportamento afeta você; seu comportamento me afeta. Diante de um comportamento inaceitável, não podemos competir com a outra pessoa ou perder a dignidade. É preciso manter o equilíbrio para conduzir os relacionamentos no rumo certo.

 7º Princípio Básico do Amor- Exigente: Preparar. Tomar atitude precipita crise. Vamos nos preparar, não permitir abusos e desrespeitos e cuidar para que nossas atitudes sejam corretas e corajosas. Devemos assumir posições claras e bem definidas e ser firmes e perseverantes, sem nos omitir, nem delegar responsabilidades para terceiros.

 8º Princípio Básico do Amor- Exigente: Esperança. Da crise bem administrada, surge a possibilidade de mudança positiva Este é um princípio de extrema importância para que possamos atingir os resultados desejados com a aplicação do Programa Amor-Exigente. Devemos ter um plano de ação com metas, prioridades e fazer o que precisa ser feito, sem pena do outro ou de si próprio.

 9º Princípio Básico do Amor- Exigente: Apoiar. Na comunidade, as famílias precisam dar e receber apoio. Os grupos do Amor-Exigente reúnem pessoas em busca de ajuda para si mesmas e para os seus compartilhando experiências, informações e instruções. Assim, elas não se sentem sozinhas e têm um ambiente propício para juntas com uma comunidade irmã, encontrarem novos caminhos.

 10º Princípio Básico do Amor- Exigente: Cooperar. A essência da família repousa na cooperação, não só na convivência. Devemos participar de trabalhos na família e na comunidade facilitando a cooperação e a solidariedade entre as pessoas. Isso nos dá a oportunidade de nos valorizar, de melhorar nossa auto-estima, e fazer parte das mudanças de uma época, assumindo a responsabilidade social que nos cabe.

11º Princípio Básico do Amor- Exigente: Organizar. A exigência na disciplina tem o objetivo de ordenar e organizar a vida dos pais, dos filhos e de toda a família. A exigência na disciplina tem o objetivo de ordenar e organizar a minha vida. Sem organização e disciplina, nos sentimos infantis e inseguros. É preciso estabelecer limites e criar condições para desabrochar o que temos de bom para sermos cada vez melhores.

12º Princípio Básico do Amor- Exigente: Compensação O amor com respeito, sem egoísmo, sem comodismo deve ser também um amor que orienta, educa e exige. Amo você, só não aceito o que você está fazendo de errado. Amar não é fazer tudo pelas pessoas ou dar-lhes tudo o que é possível. Amar é essencialmente dar condições para que saibam escolher o que é correto e bom para si próprios e para os outros.

                                                                                                                      Carmelo Jose Serra Seoane

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Abstinéncia contínua e mudança comportamental



Falando de Dependência Química com meus internos aqui na clinica hoje na manhã me lembrei de alguns detalhes importantes dentro do processo de mudança necessário para alcançar uma abstinência de substancias psicoativas, que seja continua e com qualidade de vida.

Inicialmente preciso me lembrar das limitações, e além disso do tempo, tempo que é gasto em buscar meios e maneiras de utilizar drogas, até isso se transformar em cronico, colocando as drogas acima de todo e mesmo acima da própria pessoa, passam-se anos nesse caminho de destruição, quer dizer que para resgatar a quantidade de valores internos que foram caindo ao longo de todos esses anos, também é necessário perceber que se  precisa de um bom tempo, tal vez o resto da vida para que esse retomada de valores aconteça de maneira real e profunda.

Por extensão disso se faz imprescindível a tolerância como ferramenta para acompanhar esse tempo e para ajudar a pessoa a não desanimar, quando com certeza algum que outro erro apareça na frente, erro próprio e erro alheio.

As vezes acontece que a reabilitação é idealizada como se fosse uma ato de mudança imediato ao parar de usar, isso é um grande erro na verdade quase uma condenação a frustração, e isso é muito perigoso, pois dependentes químicos não reagem bem as frustrações.

Na verdade que apenas começamos a recuperação ao se  manter abstêmio de drogas ou álcool, mais, assim como o tempo necessário as mudanças é indispensável, assim o tempo é fundamental para reforçar a abstinência primaria.

Eu comparo a reabilitação com o Mergulho Submarino, existe todo um processo e um preparo para cada profundidade, preparo que começa em terra, depois tem a profundidade mínima de uns poucos metros onde o mergulhador se acostuma e se adapta e isso se repete não uma, mas muitas vezes e assim sucessivamente vai se aumentando a profundidade do mergulho até alcançar profundidades impensáveis, a recuperação não é muito diferente disto, primeiro aprendemos a ficar abstêmios de substancias, e depois de um longo preparo e tempo é que vamos nos aprofundando dentro de nos mesmos, observando e detectando aquilo que deve ser modificado, e o que podemos realmente modificar.

Eu me lembrei disto ontem na verdade, na reunião de família, depois de um terço da minha vida envolvido com reabilitação e recuperação de pessoas adictas e co-dependentes, percebo e até compreendo que a família quer que o indivíduo em tratamento mude quase que da noite para o dia, em alguns poucos meses e muitas vezes cobra isto provocando crises que muitas vezes a pessoa não esta preparada para encarar

Te até têsis sustendo a ideia de mudança instantânea, como se o ser humano tivesse algum tipo de comando que possa ser acionado para que comportamentos e hábitos que se instalam e se repetem durante anos a fio pudessem como por arte de mágica desaparecer.

Na verdade a mudança de posturas ou pensamentos é fruto de um trabalho de observância, detecção e planejamento que acontece as vezes muito tempo depois de que a pessoa para de consumir drogas.

Com isto não quero dizer que é impossível acontecer que a mudança não comece ao mesmo tempo que a abstinência primaria na pessoa em tratamento, em verdade já o ato de parar de consumir é em se uma mudança de hábito, mais em se falando de mudanças profundas de personalidade ou caráter, de pontos de vista, interpretação do entorno e tudo o que compreende as tomadas de decisão, se precisa do tempo necessário para adquirir a maturidade emocional a fim dessa mudança acontecer de forma gradual e saudável.

O motor das nossas ações é o pensamento, quer dizer que o primeiro desafio que todo alcoólico ou dependente químico tem pela frente uma vez abstêmio é a mudança dos pensamentos, e nos sabemos até por própria experiência o quanto tempo leva para um pensamento ser modificado

Carmelo J. Serra











sábado, 6 de agosto de 2016

O Grupo de Apoio


Os familiares referem que a participação no grupo é importante porque este se apresenta como
fonte de escuta, no qual se sentem acolhidos, o que lhes permite falar, chorar, conversar, pedir ajuda, ou seja, expressarem seus sentimentos frente à vivência da dependência química, sem medo de serem julgados, apresentando-se como um importante recurso terapêutico.

Através da participação nos grupos de apoio, os familiares trocam experiências aprendendo a
lidar com as situações cotidianas. Sentem-se aliviados podendo ver que seu problema frente ao
que é enfrentado por outras famílias adquire outra dimensão, podendo, até mesmo, parecer mais fácil e possível de ser enfrentado. Após as atividades grupais parecem sentir-se renovados e fortalecidos

Ao avaliar a eficiência da atividade grupal evidenciou-se que o grupo apresenta-se como uma
estratégia útil para manter a força e esperança entre as famílias participantes, fornecer espaço e ambiente propícios à aprendizagem e compartilhamento de informações e se configurar em uma rede de apoio para essas pessoas.

Por meio da oferta de informações e suporte emocional é possível ajudar
as famílias a enfrentar a crise vivida, atenuar seu sofrimento e reduzir a ansiedade.

A participação no grupo apresenta-se como uma fonte contínua de recebimento de informações,
que mantém a família fortalecida auxiliando-a a tomar decisões relativas ao cuidado do usuário de drogas, respaldada no conhecimento recebido.

Conclui-se ser o grupo de apoio uma importante estratégia de cuidado aos familiares
de usuários de drogas, apresentando-se como ferramenta a ser utilizada na promoção do cuidado prestado, com vistas à realização da educação em saúde, da prevenção,
promoção e recuperação da saúde de indivíduos e grupos sociais.

É uma ferramenta de atenção em saúde a ser utilizada com o objetivo de alcançar a otimização de resultados, não somente individuais mas de todo o núcleo familiar.

O uso do grupo de apoio como recurso terapêutico pode colaborar para a construção de uma prática assistencial humanizada e acolhedora.



Carmelo J. Serra

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A alimentação no processo de tratamento




A dependência de drogas está associada a mudanças nos hábitos alimentares e no estado nutricional, devido a alterações no apetite e na ingestão dos alimentos. Esta questão pode afetar o es­tado nutricional, tendo como consequência a desnutrição, devido a pouca ingestão de alimentos durante o consumo, ou o excesso de peso, em decorrência do ganho rápido e gradual ,durante o tratamento de reabilitação.

O consumo excessivo de álcool e drogas está intimamente relacionado com a nutri­ção, pois quanto maior a participação dessas substâncias na dieta, menor é a qualidade nutricional da alimentação desses indivíduos.

As drogas e o álcool trazem grandes ma­lefícios para a saúde humana, principalmente no que tange a nutrição. Essas substâncias inibem o apetite dos usuários de substâncias psicoativas e tendem a baixar seu peso.

Além disso, a grande maioria dos usuários de substâncias psicoativas não se alimenta de forma saudável e adequada. Muitos ficam muito debilitados pela inibição da fome causada pela dependência, o que prejudica a qualidade nutricional da dieta dos mesmos.

Existem poucos estudos sobre dependên­cia química e alcoolismo, principalmente os que investigam as tendências e consequências da alimentação entre essa população. Ações de saúde devem ser planejadas, visando alertar para o consumo de determinados alimentos durante o tratamento e a reeducação alimentar dos usuários, no intuito de prevenir problemas de saúde no processo de reabilitação e durante a vida da pessoa em recuperação.

É importante a orientação para as escolhas alimentares de dependentes químicos e alcoolistas em tratamento, a fim de controlar a crise de abstinência e manter o estado nutricional adequado, estabelecendo metas de peso saudável e evitando o aumento de peso corporal.

Visto que a incidência do uso de drogas e álcool aumenta a cada dia, torna-se relevante o desenvolvimento de pesquisas sobre o estado nutricional e os hábitos alimentares destas populações no intuito de aumentar as reflexões e construir mecanismos para que a recuperação do estado nutricional ocorra de forma saudável.

Uma grande parcela de dependentes químicos em tratamento sofre um progressivo e gradual aumento de peso durante o tratamento, isto tem como causa a possível transferência da compulsão as drogas e a substituição das mesmas por alimentação.

Disto de desprendem a necessidade da adequação e do controle da dieta neste estagio inicial e a manutenção do equilíbrio alimentar durante todo este processo

Carmelo J. Serra