segunda-feira, 20 de junho de 2016

Primeiro Encontro de Famílias do Centro de Tratamento Novo Rumo


A proposta é tão simples quanto importante, fazer o melhor para alcançar o melhor resultado.
Esta claro e quase óbvio para nós, que faz um tempo já que acompanhamos e tentamos minimizar os efeitos nocivos do  uso de drogas e abuso de álcool no indivíduo, na família e na sociedade como um todo, da importância de abrir cada vez mais espaço para a família no tratamento das doenças da dependência química e do alcoolismo.
Este pensamento se materializou nesta semana passada, depois de um planejamento junto com a Dra. Denise A. Couto, a nossa chefe técnica, Rodrigo e Ricardo Vidal, os mentores da Novo Rumo e a Sra. Vera Lucia, que nada mais é do que a coluna espiritual de todo este empreendimento, demos inicio aos encontros das famílias dos internos que aqui estão buscando uma nova maneira de viver.

Observamos que as chances de reabilitação se potencializam e aumentam consideravelmente quando a família se envolve com o tratamento, durante e depois da internação, isto foi o gatilho que disparou este projeto, o norte dele esta na necessidade de criar condições para que a pessoa em recuperação alcance a qualidade de vida como resultado da abstinência de substancias junto com a sua família, e não somente isto, mais o resgate de valores familiares que foram comprometidos nos tempos de uso.

Este trabalho esta fundamentado num tripé entre a família, a equipe e o interno, e fundamentado na consciência de que podemos "fazer a coisa certa pelo motivo certo", palavras do Thiago Petri, o nosso administrador, gerente e coordenador interno.
Depois dos nossos primeiros encontros nos dias 14 e 16, só podemos sentir gratidão pelas famílias que enfrentaram o frio, o cansaço do dia de trabalho e compareceram e o compromisso de melhorar sempre na procura de aprimoramento e de conhecimento a fim de otimizar o nosso rendimento e o resultado do mesmo.
Estes encontros aconteceram mensalmente e ainda que não sejam obrigatórios, pedimos a s famílias dos nossos internos que compareçam, pois a postura da família certamente pode definir o sucesso ou mesmo o fracasso de todo o processo, junto com a conscientização do familiar que por nove meses estará conosco aqui na Novo Rumo.

A recuperação não é apenas um movimento individual, a recuperação é uma soma de forças, esta deve ser a consciência que determine o caminho a ser percorrido a partir de hoje.

Um pouco mais a frente na nossa caminhada com certeza colheremos o fruto de este trabalho que se inicia, fruto que não é mais que o amor materializado em esforço e dedicação de todos.

                                                                                                                                      Sejam bem vindos!
                                                                                                                                       Carmelo J. Serra



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Meu familiar esta internado. O que devo fazer para ajudar?



A Família tem um papel fundamental no processo de tratamento da Dependência Química e o Alcoolismo, este papel representa um ponto positivo desde que sejam observadas pautas e diretrizes para criar um âmbito favorável a reabilitação e extremamente negativo quando a família se mantém apenas como observante, sem se envolver com o processo, a família que não se informa sobre estas doenças não adquire as ferramentas necessárias e imprescindíveis para lidar com situações que ocorrem durante e depois do tratamento do familiar internado e assim mesmo muitas vezes não percebe que o uso de substancias é apenas a parte visível de um problema muito mais grave e profundo.

Muitas famílias acreditam que uma vez internado o familiar, que sofre destas doenças, o problema já esta resolvido, que só o fato da internação vai resolver a situação, muitas famílias se posicionam como se o problema fosse a própria pessoa e não como deve se posicionar,  que a pessoa tem um problema, muitas vezes dito problema esta enraizado no seio de todo o convívio desta pessoa, poucas famílias entendem a profundeza e a complexidade destas doenças, poucas observam a dependência de álcool ou drogas de uma maneira mais ampla, sendo que um dos sintomas da co-dependência familiar é justamente este, a negação a minimização e a racionalização do impacto da adicção a substancias em todo o núcleo familiar.

A desinformação é um dos motivos pelo qual intercorrências, lapsos e recaídos acontecem e a gente deve aprender com isto.

A família precisa se informar, identificar responsabilidades e contribuir com a melhoria da qualidade de vida que foi bastante comprometida pelo tempo em que a Dependência Química e o Alcoolismo ocuparam o centro das atenções, e ao mesmo tempo em que o familiar esta internado criar as condições ideais para que a auto obsessão do núcleo se retire junto com a compulsão por substancias no familiar em tratamento.

A recuperação é um movimento de toda a família, isto eu mesmo tenho observado durante todos estes anos de trabalhar com dependentes químicos, assim tenho visto o sucesso do grupo familiar em conjunto, quanto o fracasso das individualidades condicionadas pelas emoções, ressentimentos e culpas, que são inúteis.

Se observamos estas doenças sob o prisma comportamental percebesse claramente a raiz familiar do mesmo, não que a família tenha alguma culpa disto, porem a responsabilidade não pode deixar de ser apontada, de maneira que a recuperação aconteça da melhor maneira.

A família deve revisar a sua dinâmica, a fim de contribuir com a reabilitação não só do familiar internado, mais com todo o núcleo familiar.

Pode parecer algo chocante, ate assustador, porem necessário admitir e aceitar que o problema vai alem das drogas ou o álcool, e que atinge todos, de uma maneira ou outra e que isto deve ser tratado com toda seriedade e compromisso se realmente se quer resolver o problema.

Aqui vão algumas diretrizes que certamente fazem uma grande diferença no processo de tratamento se aplicadas e observadas.

È importante saber que as equipes de trabalho nas instituições de tratamento são treinadas para ajudar na solução de crises que podem acontecer durante o tratamento, desde que elas sejam informadas por parte dos familiares, desta maneira o triangulo, família-familiar em tratamento e equipe funciona da maneira adequada e as chances de sucesso aumentam bastante.

Não passe informações de crises de nenhum tipo pelo telefone, e se isto se faz necessário peça ajuda a  equipe do centro de tratamento onde o seu familiar esta internado, eles criaram as condições e passaram esta informação da melhor maneira a fim de minimizar a possibilidade de interrupção do tratamento.

Não determine o tempo de permanência pelo telefone ou mesmo antes da internação, comunique esta decisão a equipe. Quando a pessoa chega à internação sabendo que a sua permanência já esta determinada ou quando esta permanecia é determinada pelo telefone, sem conhecimento da equipe de trabalho, automaticamente ela se diferencia do resto do grupo em tratamento, seleciona as informações que quer colocar em prática e dificulta a abordagem, a eficácia do tratamento se reduz drasticamente.

Evite as emoções extremas durante a ligação. Sentimentos como a raiva e a tristeza são normais que aconteçam, porem estes sentimentos quando são gerados no contato com a família dificultam bastante qualquer tipo de abordagem e potencializam a possibilidade de interrupção do tratamento, a família deve se preparar para este contato e tentar manter o controle emocional durante o mesmo

Não se atemorize no caso de ameaça de fuga por parte do interno, comunique a equipe.Nas internações involuntárias o pensamento de fuga e mesmo as tentativas fazem parte do dia a dia, para isto as equipes são treinadas a fim de prevenir e evitar esta ocorrência, muitas vezes o interno verbaliza esta possibilidade no intuito de conseguir a diminuição ou mesmo a interrupção do tratamento.

Não faça promessas ou minta para o parente em tratamento. A família atemorizada tenta negociar a internação, ou tenta acalmar o seu familiar recorrendo no momento de desespero a falsas promessas ou mesmo mentindo a fim de conseguir que ele se trate, isto pode ate surtir efeito no momento, porem em médio prazo tem o efeito contrario, seja sincero, a transparência é uma das ferramentas de todo o tratamento e deve nortear a comunicação entre toda a família e seu familiar internado.

Não tome decisões, não tente amedrontar,não ameace o familiar em tratamento. O uso de substancias psicoativas e álcool são o gatilho de muitos prejuicios na família, o momento da internação não é o mais adequado para abordar isto, lembre, o objetivo e devolver a família e a sociedade indivíduos funcionais, naturalmente o tempo da admissão da culpa e a reparação chegarão, se todos colaboram com isso.

Mantenha a calma e o controle da situação na ligação.O controle da ligação ou mesmo da visita deve estar na família e não com o familiar internado, não seja excessivamente protetor nem concorde com as criticas que possam ser feitas  por ele, o contato com as famílias se transforma muitas vezes num relatoria de como a pessoa esta sendo “maltratada” ou “injustiçada”, se informe, converse com os membros da equipe e visite as instalações da clinica sempre que possível, fale com familiares de outros internos.

Qualquer situação anormal ou postura diferente das de costume comunique a equipe. Ninguém conhece melhor que a família os comportamentos tanto positivos quanto negativos da pessoa internada, converse com a equipe, fale com os membros diante de qualquer comportamento anormal ou estranho na sua visita.

Não marque visitas pelo telefone com o seu familiar, faça isso com a coordenação. As visitas são programadas e parte do processo de tratamento, elas devem ser marcadas junto a equipe que prepara o interno para ela, assim mesmo a família deve se preparar, a fim de que esta visita tenha os efeitos positivos esperados, seja para a pessoa internada ou mesmo para a família dela. 

Não passe a ligação a terceiros, não terceirize a ligação com outras pessoas. As ligações são autorizadas apenas para familiares diretos, não apara amigos ou conhecidos autorizados, isto é recomendado por questões de segurança do interno e andamento do tratamento. Do mesmo modo evite portar celular na visita na clinica a fim da evitar isto.

Evite os excessos nos produtos que a família trará para seu familiar na permanência.Muitas vezes o dependente químico não sente o resultado do prejuiço do uso de substancias ou álcool, a internação não é castigo ou punição nem muito menos premio, evite os excessos nos produtos que traga para ele, leve ao indispensável, ainda quando o mesmo interno subsidia o custo do tratamento, a reabilitação é um processo de equilíbrio, pratique isso do primeiro momento.

Na sua visita a família deve vigiar a postura diante do familiar em tratamento, isto referisse a maneiras de se comunicar com o interno quanto a palavra e decoro de todos os componentes. A família deve selecionar e prepara todos as pessoas que vão visitar o familiar em tratamento a fim de que a linguagem seja única e com o mesmo objetivo que é contribuir inicialmente com a conclusão do tratamento, certifiquesse que todas as pessoas que vão ir na visita tenham este ponto como prioridade e compram os outros requisitos acima descritos.

O contato com o familiar em tratamento é fundamental e deve acontecer com regularidade, estas diretrizes visam a otimização do resultado de todo o processo que nada mais é que a volta da pessoa a sua origem da melhor maneira possível.

                                                                                                                       Carmelo J. Serra