quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A Importancia da Retaguarda

Eu não sei se já falei disso, ao final foram tantas as palavras nos últimos anos que as vezes até eu mesmo esqueço, então se for assim peço perdão pela repetição, porém, o que eu quero dizer hoje creio que deve ser repetido diariamente para muita gente, muita mesmo!
Queria abordar um tema um tanto escabroso, a retaguarda necessária que o Dependente Químico (neste termo coloco o dependente de qualquer substancia ou mesmo comportamento) deve ter da família (que também esta doente e DEVE ser tratada) no pós tratamento, uma vez que o mesmo conclui o tratamento.
Eu tenho a plena certeza e vivencia de que o sucesso no tratamento para a Dependência Química  é um trabalho em grupo, do individuo, da equipe da clínica onde ele é tratado e da família, e mais, eu coloco a família acima ou no mesmo patamar que todo o outro arsenal de ferramentas terapêuticas.
Falando dos tratamentos que o mesmo Estado oferece eles são ótimos em todo aspecto, desde os médicos até a equipe da manutenção, técnicos, cozinheiros e estrutura, mais, o problema vem após esse período que creio piamente que é mais que suficiente para que o paciente saia da compulsão e a obsessão pela substancia, de 30 a 45 dias,.
O problema vem quando esse paciente que se encontra bastante sensibilizado pela distancia e muitas vezes mesmo o abandono familiar ( e com isto não quero vitimizar o individuo nem tirar responsabilidade dele) é encaminhado para um equipamento que não esta preparado para recebe-lo, o albergue noturno, eu não gosto de hipocrisia, se existe um lugar de facilitação de volta ao uso fora da família, que também pode se transformar num agente facilitador, e fora da mesma rua onde o paciente convive, esse lugar é ou melhor são a maioria dos albergues noturnos, e aí onde entra a importância da retaguarda em todos os aspectos da família, que me perdoem alguns teóricos da recuperação, abandonar, fechar a porta e se entregar o cansaço pode decretar a sentença de morte do Dependente Químico se ele não esta suficientemente preparado e com bagagem de conhecimento da doença, e uma visão de mundo além do normal.
Gente, a família pode e DEVE estender a mão ( deve aprender a fazer isso!!) para o familiar, aceitar que a Droga dependência é uma doença, e que a Co dependência e outra doença tão nociva tanto quanto.
Só a modo de informação, em São Paulo somente num dos albergues da prefeitura te 1500 pessoas, sim, assim mesmo 1500 filhos de alguém, pais de alguém, irmãos de alguém, e 75% deles são egressos de clínica de reabilitação.
Cuidado, eu não estou jogando a responsabilidade nem culpando a família por reincidências de uso ou recaídas, muito pelo contrario, estou chamando a família a fazer parte da vitória!
Esta vitoria começa no dia em que a pessoa levanta a mão e busca ajuda, acontece quando o médico e o terapeuta abordam o paciente, quando vem pelo menos UMA visita preparada para isso enquanto o individuo esta em tratamento, ou mesmo uma ligação apenas, quando o indivíduo conclui e é encaminhado ao CAPS e até mesmo quando vai para o equipamento do albergue, mais...sempre com a família por perto!!
A recuperação existe de qualquer modo, eu mesmo conheço um rapaz que esta limpo e tentando mudar o rumo da historia no meio da rua, e o mais bonito disso é que tem muitos que se recuperam mesmo na total carência, agora eu pergunto. Sera que o cara tem que ser meio Homem de Ferro para se recuperar?
Sinceramente eu acho que não!
Agora, eu mesmo aconselho a quem tem a doença da Dependência Química e percebe resistência na família ao tratamento da Co dependência a se afastar dela nem que seja por um tempo, pois se tem mais chances de sucesso sozinho que "mal acompanhado"
Me desculpe o azedume. Sabe?
É que eu estou um pouco cansado de ver valores se perdendo, morrendo, voltando para a cracolândia, sei lá