Como eu já diz anteriormente, depois de alguns anos trabalhando com tratamento de dependentes químicos e alcoólatras tenho vivenciado situações das mais variadas, algumas muito congratulantes, muito felizes, outras nem tanto, ou melhor tenho vivenciado e me visto em situações que passam longe do que eu penso como tratamento ou mesmo humanismo, pois para mim essas duas caraterísticas devem caminhar e nortear qualquer tipo de abordagem de qualquer doença juntas.
De tempos em tempos ouço falar em faltas graves por parte de pseudo "equipes" e "terapeutas", de pseudo tratamentos de D.Q`S em "Clínicas", "Centros de Tratamento", "Comunidades Terapêuticas" e outros locais que deveriam tratar e melhorar a qualidade de vidas das pessoas que recorrem a estes serviços.
È comum já que apareçam informações nos meios de comunicação de noticias muito, muito tristes de maus tratos e abusos de pacientes internados nalgum local no Brasil todo.
Eu já escrevi sobre isto anteriormente, a fim de reforçar e prevenir essa realidade de alguma maneira, a minha maneira é esta, escrevendo, acreditando que quem possa acompanhar meu blog evite que alguém do seu circulo de amigos ou familiares caia nesta cilada.
Eu como Consultor já por varias vezes fui chamado para melhorar e rever programas terapêuticos em vários lugares e estruturas em vários Estados do Brasil, em muitos casos em pouco tempo (as vezes em horas) percebi que não só eu estava no lugar errado, mais ESSE era lugar errado para qualquer um, e que qualquer técnico que se prece jamais compactuaria com certas filosofias e meios de trabalho.
Eu quero falar aqui apenas de UMA de tantas tristes realidades, quero falar aqui da famosa e nunca esgotada teoria de que a pessoa deve ser compelida a se tratar por ela usar drogas, a "Internação Involuntária".
Creio pessoalmente que a abordagem de usuários sim, pode ser involuntária, isto apenas em alguns casos específicos, exatamente quando esta abordagem é autorizada por um médico psiquiatra que confirme e diagnostique que essa pessoas pode se auto infligir um mal maior ou que ela põe de algum modo as pessoas próximas em perigo, quer dizer que essa pessoa não tem autogerenciamento positivo e está em perigo iminente, pois bem, em muitos anos de experiência que tenho posso contar com os dedos de uma mão das internações involuntárias que cumprem com esta premissa básica.
Na sua imensa maioria as internações involuntárias não passam de uma invasão do direito de ir e vir das pessoas, feitas por equipes completamente mal preparadas e sem conhecimento mesmo do que estão fazendo, pois se souberam que isso não passa de um Sequestro na sua fonte e de Cárcere privado na sua Sequencia sei lá se essas "equipes" arriscariam perder alguns anos na cadeia e continuar com esta prática, isto não é a minha teses, isto e a realidade, o problema esta em que o proprietários dessas "clínicas" dependem de internações para viver, para pagar as contas e os "salários" das "equipes" e "terapeutas", eles não podem perder internação, nem internos uma vez que eles já sequestraram esta pessoa, agora esse pessoa que faz uso de drogas (este uso muitas vezes nem justifica a internação) deve permanecer por meses "internado" involuntariamente perdendo parte da própria identidade, autoestima e tempo, o qual esta atrelado ao dinheiro que possa ser extraído da família dela que em desespero interna o individuo no primeiro lugar que encontrou, e graças ao mesmo desespero caiu na conversa de pessoas que se valem deste desespero para ganhar dinheiro, com muito pouco o nenhum interesse pela pessoa humana.
Bom, eu já me estendi muito e não quero ser por demais denso na minha escrita, noutros posts eu vou estar dando sequencia e retomando o assunto, pois muito deve se falar disto e tentar evitar maiores danos, maiores que a mesma substancia, danos que as vezes podem ser irreparáveis.
Só quero deixar aqui um advertência; você conhece alguém que esta com problemas com drogas ou esta abusando do álcool, procure ajuda especializada, jamais interne a pessoa de pronto sem conhecer o local, os técnicos e peça para que a mesma clínica forneça o contato de alguém que já foi internado no local, e fale pessoalmente com quem já esteve internado nessa estrutura, desde que essa pessoa não tenha vinculo com a clínica, isso pode ser um bom começo


