terça-feira, 26 de abril de 2016

A Mãe, a Dependência Química e a Tuberculose


A Tuberculose é uma doença que requer de tratamento e um cuidado especifico, não somente por parte do portador da doença apenas, mais de todo o circulo de convívio desta pessoa.
Esta é uma doença, que se não for tratada a tempo, representa um perigo bastante grave, levando em alguns casos a morte.
Os pacientes precisam passar por um tratamento que leva meses e que não pode ser interrompido, e ainda assim depois da conclusão, o Bacilo de Koch causador desta doença fica escondido no organismo, em estado latente, quer dizer, pronto para atacar novamente.
Se precisa de um movimento da família ao mesmo tempo que o parente afetado passa pelo processo de tratamento, para que este tratamento surta o efeito desejado, primeiro para saber se alguém do convívio esta infectado, depois para uma serie de medidas a serem tomadas para evitar que esse agente bacteriológico fique no lugar de moradia da família, pois o causador dela (Bacilo de Koch) fica no ar onde a pessoa tosse ou espirra por muitas horas ou ate dias se encontra as condições de calor, luz e umidade das quais ele precisa para se manter vivo.
Ventilação dos quartos, limpeza da casa, evitar o acumulo de poeira, por exemplo, são medidas que a família deve tomar para evitar que algum dos membros contraiam a doença por contagio, isto vale também para outras varias doenças.
A família é um verdadeiro agente de prevenção da mesma ou de outras doenças, e também um colaborador para que o tratamento tenha sucesso, quer dizer que se o doente volta para o lugar onde mora e estas medidas não forem tomadas é quase uma certeza que o tratamento não terá o efeito que se espera.
A Família não tem culpa de que a pessoa sofra desta ou de qualquer outra doença, mais em muitos casos a família é um grande divisor de águas entre o fracasso e o sucesso de um tratamento de saúde e disto ela é responsável.
Fazendo um parâmetro entre a Tuberculose e a Dependência Química, vemos alguns pontos em comum entre as duas, não sob ponto de vista da manifestação desta doença, mais sob o prisma da recuperação que é o que aqui importa.
Assim como a recuperação da doença acima descrita em termos gerais e quase leigos, a reabilitação da Dependência Química e o Alcoolismo dependem e muito de um movimento da família como um todo, do mesmo jeito que a família tem uma parte fundamental no tratamento e prevenção da Tuberculose e de um sem fim de outras doenças, assim mesmo tem a mesma responsabilidade de tratar e prevenir a pulverização no núcleo familiar da Adição a drogas e álcool e também, de uma ação conjunta que otimize o tratamento feito em Clinicas, Comunidades Terapêuticas, CAPS, ou qualquer outro mecanismo de tratamento de pessoas que sejam portadoras da dependência as drogas e o abuso de álcool.
Desde a década de 1950 que as famílias inseridas em tratamentos de recuperação de pessoas contribuem para o sucesso destes tratamentos, por  outro lado o índice de recaídas e muito maior quando a família se mantém ao margem dos mesmos.
Não só por causa das estatísticas, mais pela própria experiência, e acima de todo porque creio que através da conscientização das famílias sobre a importância delas no tratamento da co dependência, juntos, podemos se não evitar pelo menos minimizar o sofrimento de algumas Mães, que no dia 8 de Maio,no dia delas, vão sentir falta do filho que talvez esteja tratando a dependência de químicos aqui mesmo, onde foi nós dada a responsabilidade de ajudar esses filhos que também estarão longe das suas Mães, a fim de contribuir  para que este seja o ultimo Dia das Mães em que eles estejam separados.
Com certeza é bastante difícil aceitar que a nossa família tem uma parcela na recuperação do filho, ou qualquer outro familiar que abusa de álcool ou esta usando drogas compulsivamente, o nosso primeiro pensamento se focaliza em que esse problema é da mesma pessoa, que não somos nós, se não ele que usa a substancia.
Porem, desde a descoberta do fato, ou melhor,quando enxergamos que o problema é mais grave do que parecia, a família passa a adotar  posturas, toma decisões criticas, se sente as vezes culpada e começa a apresentar sintomas que distam muito da funcionalidade ou ate mesmo da normalidade nas áreas do relacionamento dos membros entre se e da sanidade nas suas atitudes e decisões em geral, parece como se o familiar que esta fazendo uso e que tem comportamentos críticos com relação a nós, acaba por atingir a família como um todo direta ou indiretamente, parece como se ele ocupa o centro das atenções
(e certamente passa a ocupar este lugar pouco a pouco ).
Perda de noites de sono, a espera do ente querido, que parece não perceber a degradação própria e da família, crises emocionais, brigas e discussões que pareciam problemas de fora da nossa porta agora são parte quase da nossa rotina, sorrateiramente  a disfuncionalidade toma conta de todo mundo.
Isto não acaba quando o parente decide internarse ou é levado a tratamento compulsoriamente, ao contrario, o medo de que ele volte a usar pode ser ate pior do que o medo de que ele nunca pare, ou a frustração da recaída parece maior que o sentimento de impotência de antes do tratamento. 
E no centro de todo isto, a Mãe, que sofre com o filho, que se degrada junto com ele, que entra em depressão, que trocaria com ele a própria vida, todos na família sentem muito a dor de ter um parente com esta doença, porem a Mãe sofre no âmago da sua alma,pelo comum isto continua a acontecer depois mesmo do tratamento, representa um serio perigo para a dinâmica da família, para o mesmo familiar em recuperação, e também, para quem seria capaz de doar a própria vida por todos, a Mãe.
Queria dizer Mãe, que não faz falta entregar a vida por ninguém, mais preserva-la por todos, que a figura da Senhora é fundamental na reabilitação, que precisamos de você, fazendo uso da coragem que tem, da doçura que emana em cada gesto seu,  do Amor que sempre nós deu, e da sabedoria que só a Mãe pode ter, que esta na hora de que a sua coragem una-se a coragem de outras Mães, que a sua doçura chegue a filhos de outras Mães, que o seu Amor seja um pouco mais Exigente, e que a sua Sabedoria leve a mensagem, quem sabe para Mães que podem estar no mesmo desespero.
Queria dizer Mãe, que o melhor esta para acontecer, que não desista, que ainda tem muita coisa pela qual rir, sonhar, agradecer.
Mãe, enxugue essa lágrima, você vai conseguir, o seu filho também.
Esta na hora, Mãe, da realização de algo que só a Senhora é capaz, levante-se desse sentimento de que pouco pode se fazer, porque é nesses momentos é quando o verdadeiro valor se faz conhecer, e a Senhora tem muito valor!
Pode ser que muita solução, para problemas que parecem não ter saída, estejam bem pertinho de você, pode ser no Salão Comunal do Bairro, nos fundos da Paróquia, ou da Igrejinha na esquina, em qualquer lugar tem, aquilo que tal vez esteja faltando, vai lá, no Amor Exigente, você vai se surpreender sorrindo das mesmas coisas que te fizeram sofrer, tal vez alguém precise mais de você, do que o próprio filho, pois ele já esta se tratando, Mãe, só você pode ajuda-lo, ajudar-nós, ajudar-se...
Creio que deste modo, cada um faz a sua parte, e se não erradicamos as doenças que não tem cura  pelo menos aprendemos a viver bem melhor com elas!
Obrigado Mãe!  

Carmelo J. Serra



                                                                                  





sábado, 23 de abril de 2016

Dependência Química e Família



Pesquisas na área de dependência química têm revelado a importância da família como fator de proteção e prevenção à recaída. Nos últimos anos, a adição e suas consequências na vida do indivíduo e sua família têm sido consideradas um problema de saúde pública, sendo um fenômeno de grande relevância social e acadêmica, já que seu tratamento implica na articulação de múltiplas abordagens terapêuticas.

Entre as modalidades de tratamento adotadas nestes casos, as mais comumente utilizadas são as internações em comunidade terapêuticas (CT) ou clínicas de desintoxicação, os atendimentos nos centros de atenção psicossocial para álcool e outras drogas (Caps Ad) e a participação de grupos de apoio, também chamados de grupos de auto-ajuda.

As CTs são modalidades de atenção à saúde surgidas na Grã-Bretanha na década de 1940, utilizadas para tratamento de pacientes psiquiátricos crônicos e posteriormente adaptadas à terapêutica de dependentes químicos. Constituem-se em espaços de tratamento de longo prazo para psicodependentes, administrados em sua maioria por Dependentes Químicos em recuperação e suas famílias. Os residentes, assim chamados os pacientes internados na CT, precisam permanecer um período que pode variar de seis a nove meses sem qualquer recaída para obterem alta ou graduação. A partir de então, podem permanecer na instituição, como monitores, se assim desejarem.

Já as clínicas de desintoxicação podem ser centros de tratamento específico, destinados a pacientes droga dependentes ou alcoólicos, como também leitos demarcados em hospitais gerais públicos ou privados, consistindo uma forma relativamente segura, que visa monitorar sintomas de abstinência, controlando complicações físicas e psicológicas, segundo o Doutor Ronaldo Laranjeira, a desintoxicação é a primeira fase do tratamento. Nesta modalidade terapêutica, os índices de abstinência após a alta é relativamente maior quando o paciente é acompanhado por cuidados ambulatoriais posteriores, inserido em programas de acompanhamento psicológico.

Os CAPS Ad constituem-se em unidades locais de saúde pública regionalizadas que oferecem atendimento especializado a usuários de álcool e outras drogas, criados em substituição aos hospitais psiquiátricos e seus métodos de tratamento do sofrimento mental.

Como opção terapêutica destacam-se, ainda, os grupos de auto-ajuda, coordenados por ex-usuários ou algum familiar envolvido com uso/abuso/dependência de drogas. Destacam-se os AAs (Alcoólicos Anônimos) e os NAs (Narcóticos Anônimos), reconhecidos e atuantes nos cinco continentes desde 1935, tendo sua origem nos Estados Unidos e posteriormente, difundido ao redor do mundo.  A família que convive com o problema da dependência química pode ser considerada uma rede de inter-relações na qual seus valores, crenças, emoções e comportamentos, influenciam os membros da família e são, por ela, influenciados.

Nesse sentido, a terapia familiar se faz imprescindível como modalidade terapêutica que contribui para a mudança do comportamento abusivo e qualidade de vida familiar. Com isso, do ponto de vista sistêmico, o abuso de álcool e a Dependência Química podem ser entendidas como sintoma da família, em que o doente não é apenas o paciente identificado, mas todo o sistema familiar. Assim, a família busca ajuda para o familiar adicto sem, contudo, modificar suas relações. Quer dizer o usuário parece ficar refém de uma família que resiste a mudanças.

                                                                         Carmelo Jose Serra Seoane
                                                                   "A melhor maneira de não cometer erros, é não fazer nada"

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Família e Recuperação


Sei na prática da importância da família no tratamento de usuários de drogas (o álcool, uma das mas potentes), e quando se fala em tratamento não apenas devemos focalizar o familiar envolvido no uso, mais os membros da família subjetivamente, de preferencia.
O núcleo familiar é com toda certeza uma parte importante no tratamento de Dependentes Químicos, e não somente isso, a mesma família fica exposta e doente por causa da doença da Adicção as drogas ou abuso de álcool
A família, fica em estado de alerta por muito tempo, anos em alguns casos, ao conviver com um dos seus membros com serio comprometimento de conduta e hábitos, por causa dos comportamentos  que acompanham o usuário de S.P.A.
O resultado disto, muitas vezes e bastante agressivo quanto a funcionalidade desta família, se instala a Co-dependência Emocional, que implica numa serie de pensamentos-emoções-acoes que estão distantes de ser assertivas, antes, durante e depois do tratamento ao que se submete o usuário.
Muitas vezes a mesma família que em desespero busca a internação do membro, ela mesma sabota o tratamento, contrariando e não colocando em pratica direcionamentos dos consultores e outros profissionais da clinica, em outras ocasiões a família esta tão doente, que nem mais quer saber do familiar em tratamento, desligando-se completamente dele, e colocando a culpa da própria disfuncionalidade nele.
A família tem um papel realmente preponderante no processo de reabilitação, e ela precisa também de um processo de revisão, com certeza, não só para preparar o terreno para a volta ao convívio com o familiar em tratamento, mais pela família em se.
Alguns dos tratamentos mas bem sucedidos no dias de hoje, são aqueles que envolvem o núcleo familiar diretamente com o tratamento do usuário, a fim de rever valores e posturas e evitar deste modo uma possível recaída, ou minimizar esta intercorrência, isso acaba por ter um impacto positivo na família com um todo, tanto no pós-tratamento do individuo, quanto no convívio dentro de casa.
Depois de alguns anos de acompanhar usuários de químicos, e algumas das famílias destes, percebi que a grande maioria dos dependentes químicos teve as facilitações sociais e familiares favoráveis para a experimentação de drogas, seja por pai ou mãe (ou os dois) usuários de algum tipo de droga, ou algum familiar do convívio, disgregação familiar, banalização de valores, ou mesmo ausência de pautas e regras de convívio familiar, divorcio, transtornos de comportamento na família, só para citar alguns sintomas de condicionamento ou possíveis causas para o uso de drogas ou abuso de álcool.
  Quando a pessoa e retirada do convívio da família, e passa vários meses longe da mesma, quando o tratamento na clínica e bem sucedido, e chega ao fim, porém a família não e abordada e conscientizada de que a doença da Dependência Química é uma doença familiar, ela pode se transformar num grande agente facilitador da volta ao uso, lembrando que o tratamento se mostra insuficiente para que o ex-interno tenha a maturidade emocional necessária para fazer escolhas exatas, ou colocar em pratica um plano de prevenção de recaídas, por outro lado a família em tratamento se transforma no maior agente de pós-tratamento pois ela acompanha o ex-usuário quase que 24 horas ao dia.
Isso esta registrado não só na experiencia, mais em estudos muito sérios, que demostram que o tratamento que tem a cooperação da família, e nos quais a família esta inclusa, tem um índice de recaídas muito menor, do que aqueles que apenas se focam somente no usuário.
Então, podemos dizer que a família deve ser acompanhada, e tratada, com a mesma seriedade do que se tratam os mesmos dependentes químicos.
A isto chamamos de Processo Sistêmico de Tratamento.
O Dependente Químico não e culpado da sua doença, mais, responsável pela boa vontade de se submeter ao tratamento e praticar os conceitos de recuperação que ele aprende durante meses na clinica, a família do mesmo modo deve, se realmente quer o seu familiar de volta das drogas,
reconhecer que ela tem uma grande parcela, da mesma responsabilidade, e a ausência de qualquer culpa..

                                                                                               
           Carmelo J. Serra
       " O caminho que leva a lugar nenhum é o único que não tem obstáculos a serem vencidos"

domingo, 17 de abril de 2016

Dependência Química abordagem e tratamento

A Dependência Química é uma doença complexa. É caracterizado por busca compulsiva e algumas vezes incontrolável e uso que persiste mesmo diante de consequências extremamente negativas. Para muitas pessoas a dependência se torna crônica com possíveis recorrências mesmo após longos períodos de abstinência. O caminho para a dependência das drogas começa com o ato de experimentar drogas. Ao longo do tempo a capacidade de uma pessoa para escolher não experimentar drogas pode ser comprometida. A procura de drogas torna-se compulsiva em grande parte como resultado dos efeitos de uso prolongado no cérebro, e consequentemente no comportamento A compulsão para uso de drogas pode tomar conta da vida de uma pessoa . A dependência frequentemente envolve não apenas ingestão compulsiva de droga, mas também uma grande escala de comportamentos disfuncionais que interferem no andamento normal da família, local de trabalho e comunidade. Pode também colocar as pessoas em risco crescente de contágio de muitas outras doenças. Isto pode ser causado também  por outros fatores, tais como condições precárias de moradia e saúde que comumente acompanham a vida de um dependente, ou devido aos efeitos tóxicos das drogas. Pelo fato de que a dependência tem tantas dimensões e atrapalha tantos aspectos da vida de um indivíduo, o tratamento para tal doença nunca é simples. Deve ajudar o indivíduo a parar de usar drogas e a manter um estilo de vida livre de drogas enquanto adquire um andamento produtivo em família, no trabalho e em sociedade. Um programa de tratamento eficaz geralmente tem vários componentes, cada um direcionado para aspecto particular da doença e suas consequências. Três décadas de pesquisas científicas e prática clínica produziram uma variedade de métodos eficazes para tratamento de uso de drogas. Dados documentam que tratamento de drogas é tão eficaz quanto tratamentos da maioria de outras condições médicas crônicas semelhantes. Apesar de evidência científica que mostra a eficácia do tratamento de abuso de drogas, varias pessoas acreditam ser ineficaz. Em parte isso é por causa de expectativas irrealistas. Várias pessoas equiparam a dependência simplesmente ao uso de remédios e por isso esperam que a dependência seja curada rapidamente; e se isso não acontece, o tratamento é um fracasso. Na realidade, por ser uma desordem crônica, a meta final de abstinência por longo prazo frequentemente requer episódios de tratamento repetidos e mantidos. Logicamente nem todo tratamento de abuso de droga é igualmente eficaz. Pesquisas também têm mostrado um conjunto de princípios exagerados que caracterizam a maior parte dos tratamentos ineficazes de abuso em drogas e sua implementação. Estes princípios exagerados se desprendem do fundamento cultural em que a Dependência Química tem uma das suas raízes mais fortes e isto deve ser umas das prioridades iniciais de abordagem num processo de mudança comportamental assertivo, a desmitificação da enfermidade, o pensamento de que a dependência de drogas é um desvio de caráter.   


                                                                                                Carmelo Jose Serra Seoane

    “ Não são as conquistas o que definem um vencedor, são as dificuldades que foram vencidas ate chegar a ela”


A Proposta


Depois de mais de uma década de acompanhar, observar e tentar interferir no processo de degradação de usuários compulsivos de Substancias Psicoativas me propus a compartilhar estas experiencias, nem sempre felizes, com a pretensão de encontrar respostas para este problema bio-psico social, que atinge não somente o individuo, mais a família como um todo, e como consequência natural disto, a sociedade em sua raiz mais sagrada 
Diariamente na minha frente desfilam homens e mulheres que tem a vida em pedaços por causa da dependência química e pelo alcoolismo, isso faz ja mais de 15 anos.
Porem, não foi só experiencia como usuário o que me habilitou a trabalhar com pessoas como eu, foi o preparo, os cursos, a FEBRACT, a USP, o Doutor Laranjeira,  Marcelo Ribeiro o Professor Arthur Guerra, Claudio Pimentel, Eduardo Nalim, e tantos outros, sem me esquecer o meu grande guia espiritual, Padre Haroldo Rahm, foram eles que fizeram de mim um terapeuta e melhor ser humano, a pesar dos erros.
Assim foi que por volta dos anos 2000 pude por primeira vez observar e inter agir como Consultor em D.Q., com usuários tentando juntar os cacos e continuar em frente ( como dizia Eyn Melo Ribeiro de FENACAD).
A ideia central de este blog entre outras e desmitificar a Dependência Química, assim conseguir abordar esta problemática de maneira objetiva (se isto e possível), ou pelo menos pratica.
As famílias serão especialmente apontadas durante toda esta caminhada juntos que se inicia, pois ninguém sofre tanto quanto as Mães, Pais Esposos e Esposas que pouco a pouco vem como Príncipes se transformam em sapos na mão deste flagelo que é o uso de substancias psicoativas e abuso de álcool, pois creio que o Processo de Recuperação Sistêmico se não e o único método de recuperação, sem duvida e o melhor, e todos aqueles que estamos envolvidos no trato de pessoas com essa enfermidade sabemos disso.
De maneira alguma creio que tenho respostas definitivas,mais  a vontade de ajudar de alguma maneira.
Aprendi neste anos todos que as chances de recuperação são muito maiores quando cada um sabe das suas limitações, quando se tem a consciência que ninguém ate agora encontrou a "Cura", porem quando reconhecemos que a adicção a drogas e álcool tem tratamento desde que façamos um movimento de amor, de compreensão, de respeito ao ser humano.
Nesta mesma hora, muitos estão entrando num pronto socorro, muitos esta morrendo, outros estão começando a andar um caminho e que na melhor das hipóteses neste caminho vai perder um pedaço da própria historia, as pessoas queridas, a saúde mental e física, a consciência de se mesmo, entre outras coisas.
O resgate de dependentes químicos e alcoólatras e certamente um trabalho de amor ao próximo, próximo este que na maioria das vezes não vai entender esse amor, vai rejeitar a mão que se estende.
Assim mesmo, este trabalho requer de um bom conhecimento, não só técnico, mais de relações humanas, então tem que ser evitado ao máximo a sensação de que todo mundo sabe disto e todo mundo tem respostas, isso só acaba piorando a situação.
A ideia é aprender uns dos outros e cada um fazer a sua parte desde o inicio.
Semanalmente nos encontramos por aqui, gostaria que entre você e eu  aprendamos fundamentalmente a viver bem, ainda com a Dependência Química, assim como muita gente tem qualidade de vida sofrendo direta ou indiretamente com doenças tão o mais graves ainda.
Queria dizer para essa Mãe que por causa do desespero esta pensando que nada mais a fazer e que o filho esta perdido, que tenha coragem, que existe a saída e fundamentalmente dizer que ela não esta sozinha.
Para finalizar hoje, não posso esquecer de agradecer a Dra. Denisse, que me mostrou o caminho para chegar ao meu verdadeiro lugar.

                                                                                                 Carmelo Jose Serra Seoane
                                                                                              "Você só é derrotado quando desiste"