sábado, 4 de junho de 2022

A recuperação da autoestima e sua importância no tratamento de D.Q´s e Alcoolistas





Acredito ser uma definição mais adequada da autoestima como a opinião acerca de si (autoconceito), somada ao valor ou sentimento que se tem de si mesmo (amor próprio, autovalorização), adicionado a todos os demais comportamentos e pensamentos que demonstrem a confiança, segurança e valor que o indivíduo dá a si (autoconfiança), nas relações e interações com outras pessoas e com o mundo. Então, não estamos falando apenas de um sentimento que temos por nós mesmos. Mais que isso, estamos falando de pensamentos e comportamentos que temos relacionados a nós mesmos.
Pensar, o que determina uma baixa autoestima? O que fizemos ou fazemos para que o sentimento e as atitudes que temos conosco tornem-se tão negativos ou tão baixos, diminuindo-nos? E assim nos auto excluímos do convívio social!

Os estudos sobre autoestima apontam em sua extensa maioria para influencias presentes em nossa infância (Rosenberg, 1983 e Coopersmith, 1967). A definição individual de sucesso e fracasso, as aspirações e exigências que a pessoa coloca a si mesma para determinar o que constitui sucesso; e, a forma de reagir a críticas ou comentários negativos.” (Gobitta & Guzzo, 2002)

Podem de forma mais abrangente apontar situações que, quando presentes na vida de uma pessoa, são mantenedoras de uma baixa autoestima, tais como: críticas, rejeições, humilhações, abandono, desvalorizações e perdas. Importante frisar que a construção dessa percepção negativa de si mesmo é resultado de interações sociais (familiares, escolares, profissionais, entre outras…). Nelas a pessoa vivencia situações onde é colocada numa posição de sentir-se inferiorizada e de menor valia.

Isto pode ser determinante para a formação da autoimagem e o censo de autocritica da pessoa ao ponto dela passar a se comportar, a agir consigo e com as pessoas baseadas nestas experiências..

Tudo esta relacionado ao meio onde o indivíduo se encontra; a necessidade ao que está sendo exigido da pessoa; os sentimentos tendem a ilustrar as emoções ( boas ou ruins) que causam a vontade de mudar e, as oportunidades são os novos conhecimentos e aprendizagem que levam a pessoa a refletir, a expandir sua mente, a repensar seus posicionamentos e transformar suas ideias e ações.

Para reforçar ideias proativas e desconstruir o que pode se chamar de pensamento negativo condutual ou condicionado, é importante que nos equipamentos de tratamento criem-se atividades a fim de oportunizar aos acolhidos ou internos, momentos de reflexão onde eles possam ser protagonistas de alguma ação e observar as mudanças podendo assim despertar em si, novas perspectivas de vida.



sexta-feira, 27 de maio de 2022

O Modelo Minnesota de tratamento para D.Q´s e Alcoolistas

 



Criado há cerca de 50 anos nos Estados Unidos o Modelo Minnesota continua sendo uma das abordagens mais eficazes e inovadoras no tratamento do alcoolismo e da dependência química.

O que é o Modelo Minnesota?

Trata-se de um modelo terapêutico que integra várias técnicas psicológicas com o programa de recuperação de Doze Passos originalmente desenvolvido pelos Alcoólicos Anônimos e que depois serviu de base para a criação de várias irmandades de recuperação, como os Narcóticos Anônimos.

A filosofia dessas irmandades se baseia na ideia de que ninguém melhor que um alcoólico ou adicto para ajudar outro alcoólico ou adicto a se recuperar do uso abusivo de álcool e drogas.

Como surgiu o Modelo Minnesota?

A história do Modelo Minnesota começa com o surgimento, em Minneapolis, no estado americano do Minnesota – daí o nome do método – da Pioneer House, em 1948, por Patrick Cronin.

Considerado o primeiro Addiction Counselour, ou seja, Conselheiro de Adicção, um alcoólico que conseguiu a sobriedade através do AA e passou a utilizar a sua experiência para ajudar no tratamento e na recuperação dos alcoólicos que buscavam ajuda naquela instituição.

Paralelamente à Pioneer House, foi criado, também no Minnesota, na cidade de Center City, o centro Hazelden, de cujos pacientes era esperado que praticassem comportamentos de responsabilidade, como arrumarem suas próprias camas, assistirem palestras sobre os Doze Passos e envolverem-se com outros pacientes.

Além disso, um dos residentes era um conselheiro alcoólico em recuperação.

Hoje, a Hazelden Foundation é referência mundial em tratamento da adicção. A frase que intitula este artigo é de Jerry Spicer, que foi o Presidente da Hazelden Foundation de1949 a 2011.

Mas a instituição considerada pioneira, no que veio a ser conhecido como “Modelo Minnesota”, é o Willmar State Hospital em Minnesota, onde 80% dos pacientes tinham diagnóstico de alcoolismo.

Os profissionais do hospital começaram a aprender com os alcoólicos em recuperação sobre o processo de parar de usar e viver uma vida plena.

Por outro lado, os alcoólicos em recuperação começavam a receber treinamento dos profissionais do hospital e, assim, se desenvolve um ambiente com diversas atividades, consultas individuais, terapia de grupo, dinâmicas e palestras, tudo isso objetivando facilitar aos pacientes a admissão de seu problema e a reformulação do seu estilo de vida, tendo em vista desencadear um processo duradouro de recuperação.

Com o tempo, tornou-se evidente que o elemento mais importante para proporcionar a contínua abstinência e a obtenção de uma nova maneira de viver eram exatamente os grupos informais de dependentes, durante cujas reuniões trocavam suas experiências – ou seja, partilhavam – e, assim, conseguiam manter a sobriedade e aprender a viver sem o álcool.

Hoje, o Modelo Minnesota é um dos mais adotados no Brasil pelas comunidades terapêuticas de tratamento de dependência de álcool e outras drogas

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Maus tratos e Abusos de quem teria que cuidar (Part. 01)

 


Como eu já diz anteriormente, depois de alguns anos trabalhando com tratamento de dependentes químicos e alcoólatras tenho vivenciado situações das mais variadas, algumas muito congratulantes, muito felizes, outras nem tanto, ou melhor tenho vivenciado e me visto em situações que passam longe do que eu penso como tratamento ou mesmo humanismo, pois para mim essas duas caraterísticas devem caminhar e nortear qualquer tipo de abordagem de qualquer doença juntas.

De tempos em tempos ouço falar em faltas graves por parte de pseudo "equipes" e "terapeutas", de pseudo tratamentos de D.Q`S em "Clínicas", "Centros de Tratamento", "Comunidades Terapêuticas" e outros locais que deveriam tratar e melhorar a qualidade de vidas das pessoas que recorrem a estes serviços.

È comum já que apareçam informações nos meios de comunicação de noticias muito, muito tristes de maus tratos e abusos de pacientes internados nalgum local no Brasil todo.

Eu já escrevi sobre isto anteriormente, a fim de  reforçar e prevenir essa realidade de alguma maneira, a minha maneira é esta, escrevendo, acreditando que quem possa acompanhar meu blog evite que alguém do seu circulo de amigos ou familiares caia nesta cilada.

Eu como Consultor já por varias vezes fui chamado para melhorar e rever programas terapêuticos em vários lugares e estruturas em vários Estados do Brasil, em muitos casos em pouco tempo (as vezes em horas) percebi que não só eu estava no lugar errado, mais ESSE era lugar errado para qualquer um, e que qualquer técnico que se prece jamais compactuaria com certas filosofias e meios de trabalho.

Eu quero falar aqui apenas de UMA de tantas tristes realidades, quero falar aqui da famosa e nunca esgotada teoria de que a pessoa deve ser compelida a se tratar por ela usar drogas, a "Internação Involuntária".

Creio pessoalmente que a abordagem de usuários sim, pode ser involuntária, isto apenas em alguns casos específicos, exatamente quando esta abordagem é autorizada por um médico psiquiatra que confirme e diagnostique que essa pessoas pode se auto infligir um mal maior ou que ela põe de algum modo as pessoas próximas em perigo, quer dizer que essa pessoa não tem autogerenciamento positivo e está em perigo iminente, pois bem, em muitos anos de experiência que tenho posso contar com os dedos de uma mão das internações involuntárias que cumprem com esta premissa básica.

Na sua imensa maioria as internações involuntárias não passam de uma invasão do direito de ir e vir das pessoas, feitas por equipes completamente mal preparadas e sem conhecimento mesmo do que estão fazendo, pois se souberam que isso não passa de um Sequestro na sua fonte e de Cárcere privado na sua Sequencia sei lá se essas "equipes" arriscariam perder alguns anos na cadeia e continuar com esta prática, isto não é a minha teses, isto e a realidade, o problema esta em que o proprietários dessas "clínicas" dependem de internações para viver, para pagar as contas e os "salários" das "equipes" e "terapeutas", eles não podem perder internação, nem internos uma vez que eles já sequestraram  esta  pessoa, agora esse pessoa que faz uso de drogas (este uso muitas vezes nem justifica a internação) deve permanecer por meses "internado" involuntariamente perdendo parte da própria identidade, autoestima e tempo, o qual esta atrelado ao dinheiro que possa ser extraído da família dela que em desespero interna o individuo no primeiro lugar que encontrou, e graças ao mesmo desespero caiu na conversa de pessoas que se valem deste desespero para ganhar dinheiro, com muito pouco o nenhum interesse pela pessoa humana.

Bom, eu já me estendi muito e não quero ser por demais denso na minha escrita, noutros posts eu vou estar dando sequencia e retomando o assunto, pois muito deve se falar disto e tentar evitar maiores danos, maiores que a mesma substancia, danos que as vezes podem ser irreparáveis.

Só quero deixar aqui um advertência; você conhece alguém que esta com problemas com drogas ou esta abusando do álcool, procure ajuda especializada, jamais interne a pessoa de pronto sem conhecer o local, os técnicos e peça para que a mesma clínica forneça o contato de alguém que já foi internado no local, e fale pessoalmente com quem já esteve internado nessa estrutura, desde que essa pessoa não tenha vinculo com a clínica, isso pode ser um bom começo  


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Zerando os pensamentos

 O estresse é o mal contemporâneo por excelência!

Ele é o causador  de inúmeras doenças oportunistas, como o Transtorno de Ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Síndromes Depressivas e outras, também é uma porta de entrada para o abuso da Álcool e o uso de Psicoativos.

Enfim o estresse é um mal gigantesco, afeta a pessoa, a família, o relacionamento com os outros, o trabalho, nada escapa ao estresse.

Existem formulas e técnicas muito variadas para combater o estresse, para sair dessa sensação de vulnerabilidade e angustia que o estresse traz junto consigo e que nós ataca de uma hora para outra.

Algumas destas técnicas e formulas são bem mirabolantes, tipo abrace uma árvore ou compre um saco de pancadas, vai pro mato e da um berro ou enfia a cabeça debaixo da agua, eu não recomendaria nada disso, se alguém me diz que esta estressado, que não consegue sair de uma sensação de sempre estar atolado e sem conseguir resolver problema algum.

Creio que longe de curar o estresse temos que aprender a conviver com ele, mais ou menos todos nós passamos por momentos ou mesmo dias em que nada da certo e acabamos por estressarnos, o estresse não é um mito, um encosto, uma fraqueza nem é um problema mental nem um defeito ou desvio de caráter, muito menos uma doença incurável.

O estresse é um estado emocional que tende a travar as nossas ações proativas pouco a pouco, quase sempre acompanhado de pensamentos de vazio, angustia e sensação de fraqueza e vulnerabilidade e que pode ser detectável e aliviado, sem precisar de medicamentos (a não ser que isto seja detectado como um sintoma de outra doença e para isso deve-se buscar um profissional de saúde), encher a cara para alivia-lo, enfiar a cabeça debaixo da agua ou coisa parecida.

Eu como Holístico tenho observado principalmente em Alcoólatras a tendência de justificar o abuso de álcool em função do estresse, isso também observei em pessoas que utilizam medicamentos indutores do sono, ansiolíticos de maneira exagerada e quase sempre sem prescrição médica.

Tanto foi assim que eu vou deixar aqui uma maneira que utilizo as vezes com internos de clínicas os quais acompanho e que tem dado bons resultados, tal vez sirva. ok?

Vamos partir da base da teses que diz que o nosso cérebro trabalha num ritmo e velocidade que nos somos incapazes de acompanhar, tamanha a velocidade da sinapses que é a passagem do pensamento de um neurônio a outro, quer dizer conscientemente não somos capazes de reduzir ou muito menos parar essa passagem de pensamento.

Então sabendo disto eu proponho um exercício que pode trazer se não a cura do estresse, que já sabemos que não existe, mais pode nos ajudar a passar e melhorar diante desse problema.

Começamos por sentar numa cadeira bem confortável, com as costas apoiadas totalmente no encosto, não é para deitar mais sentar, de frente a uma parede da cor branca, pode ser uma louça pois deve ser esta superfície da cor branca, digo que pode ser uma louça pois nessa superfície devemos desenhar um ponto de uma cor que tenha contraste, de preferência este ponto deve ser preto.

A distancia pode variar de pessoa a pessoa desde a cadeira até a parede ou louça, importante que visualizemos o ponto nitidamente e que a superfície seja branca infinita, quer dizer que não tenha marco ou perfil.

Sentados de frente a essa superfície vamos apenas focar a visão no ponto preto, apenas no ponto preto, sem pensar em nada, apenas focalizar esse ponto, no principio pode ser um pouquinho difícil, abandonar os pensamentos e só se focar no ponto preto, vamos tentar respirar bem compassadamente, inspirando profundamente mais em forçar os pulmões pois isto desvia o objetivo que é apenas abandonar os pensamentos e se focalizar nesse ponto preto.

Importante, comunique a quem estiver com você em casa, ou no trabalho, ou onde você estiver que de maneira alguma você deve ser interrompido/a, desligue ou coloque o celular no modo silencioso, você deve buscar um lugar bem tranquilo e sossegado para fazer este exercício, sem barulho, sem som nenhum.

Basicamente a ideia é deixar morrer os pensamentos por um minuto, isso mesmo, um minuto vai ser o tempo que vamos gastar neste exercício.

Eu tenho percebido boas melhoras nos pacientes no controle do estresse, tomada de decisões, sensação de vulnerabilidade e angustia ao fazer esta dinâmica.

A mesma pode ser repetidas quantas vezes for necessário

Experimenta e me conta!     

Um minuto pode fazer uma grande diferença em 24 horas!

sábado, 3 de abril de 2021

Padre Harold Joseph Rahm


 

Não da para falar sobre dependência química e não lembrar da figura do Padre Haroldo, não só pelo que ele fez, pelos serviços prestados a través da FEBRACT desde 1978 mais para quem teve como eu a grande dádiva de dividir momentos com ele sabemos que era ele muito mais do que a mesma FEBRACT.

O Padre Harold Joseph Rahm resumia numa só pessoa valores muito singulares, principalmente a empatia por todos e um grande senso do respeito pelo próximo, um carisma tão marcante que era uma dessas pessoas que você faz questão de ter perto e uma sabedoria e experiencia de vida tão simples quanto admirável.

Hoje dei uma pausa na correria do dia a dia e fui buscar um pouco de espiritualidade lá na APOT, na Vila Brandina e ele ainda está lá com certeza, a pesar de ter abandonado esta caminhada para com certeza desde onde ele está olhar para nós com aquele olhar misto de exortação e carinho que ele tinha por todos.

 O Padre Haroldo era jesuíta e missionário, veio ao mundo em 22 de fevereiro de 1919, gringo como eu nasceu no Texas (EUA), desde muito jovem, já desenvolvia trabalhos sociais com jovens que viviam na fronteira com o México. Foi tenente do exército, pouco antes da 2ª Guerra Mundial, foi nesse momento que descobriu sua vocação religiosa.

 Em 1965 chegou ao Brasil, se naturalizou brasileiro em 1986. Ele sempre participava de ações solidárias em parceria a outros religiosos, fundando diversas obras, como paróquias, pastorais e movimentos

Nunca vou me esquecer do movimento da Pastoral da Sobriedade no ano 2000, eu tive a honra de participar de uma das reuniões desse movimento.

Nesse momento eu fazia um trabalho de Reabilitação em Piracicaba S.P, e um colega me chamou para ir numa mesa de debates.

Aceitei e quando cheguei lá ao abrir a porta fiquei gelado!

Na minha frente de roupas sociais estavam o Padre Leo, Padre Erly e Padre Haroldo!

Os três juntos no mesmo lugar!

Pensei (o que que eu vou debater com estes monstros!!)

Me lembro que a campanha da fraternidade desse ano foi “Vida Sim Drogas Não”

E eu concordei com tudo o que foi proposto!

Acima das diferencias que eu tenho hoje com ele, e as quais não me atreveria a defender frente a frente com Haroldo, eu tenho esse homem com uma grande referência humanista e filosófica

O Padre Haroldo faleceu em 30 de novembro de 2019, no centenário da sua vida, era um sábado, 30 de novembro de 2019, alguém ligou para mim e me comunicou, eu estava em Joinville em Santa Catarina, fui para fora da sala e olhei pra cima, para ver se eu via ele subindo ao céu, porque foi pra lá que ele foi, deixando um legado ímpar e muita saudade de quem teve a honra de dividir algumas horas com ele.

sexta-feira, 19 de março de 2021

A PONTE



 Passava eu por uma ponte que se deitava sobre um poderoso rio. 

Comecei a imaginar como seria mais difícil fazer aquela travessia sem aquela ponte providencial.

Seria possível isto sem aquela ponte?

 Fiquei imaginando quem a teria construído.

 Será que tinha consciência dos benefícios que trouxe e ainda traz para tantos quantos precisam atravessar aquele rio?

Fiquei matutando também sobre o significado oculto daquela ponte.

Sim, porque se prestarmos um pouco mais de atenção, veremos que em tudo o que existe há um significado maior e veremos também que tudo está, de algum modo, relacionado a lei geral que a tudo abrange.

Ponte significa um atalho para que a nossa jornada não seja tão penosa.

Ponte é ajuda que alguém nos deu visando tornar mais agradável nossa caminhada. 

As coisas vão ganhando outros sentidos quando nós paramos para prestar atenção e meditar sobre elas.

Quantas e quantas vezes passamos por coisas tão boas, tão cheias de significado e nem prestamos atenção. 

Simplesmente ignoramos sua existência ou sua utilidade.

Imaginemos que nosso viver, nossa existência na matéria, seja um rio que precisamos atravessar. 

Como seria bom se alguém colocasse uma ponte para facilitar nossa travessia, não é verdade? 

E se eu dissesse que esta e outras pontes existem, porém na maioria das vezes, nós nem tomamos conhecimento delas? 

Um amigo que nos socorre ou que nos alerta de perigos ou ainda que nos indica caminhos melhores, não é outra coisa senão uma “ponte” que a providência colocou em nosso rio da vida, para que a nossa travessia não seja tão difícil. 

Quantas e quantas outras pontes são colocadas em nosso caminho?

 Muitas, certamente.

Se observarmos bem, nosso riacho da vida tem mais pontes do que imaginamos. 

Nossos pais, nossas mães, irmãos. Gente que nos aconselha, que nos orienta.

As nossas dúvidas, os nossos medos e outras mediocridades da alma as vezes fazem que prestemos mais atenção no rio do que na ponte que pode nos ajudar a travessa-lo, e todas vezes que isto ocorre o fazemos cada vez mais largo e cheio de obstáculos. 

Todos nó temos o nosso rio para atravessar, seja raso ou fundo, estreito ou largo, com certeza sempre haverá uma ponte sobre ele.

Que tal começar a procurar suas pontes? 

Comece pelas pessoas que estão próximas a você. 

Muitas delas são ótimas “pontes” e não prestamos atenção.

Que tal você mesmo se transformar numa ponte e ajudar na travessia dos outros? 

Como? 

Comece esquecendo um pouco as limitações que muitas vezes os problemas e obstáculos nos impõem, pense neles como rios a serem atravessados e busque as pontes que vão estar aí para te ajudar a atravessar sempre, depois medite, tal vez você mesmo seja uma ponte, a ajuda necessária que alguém pode estar precisando neste exato momento, ainda que seja difícil, que seus desafios sejam gigantes, quanto mais largo é o rio, mais extensa a ponte, você vai conseguir atravessar seus abismos, você vai ajudar a outros a atravessar os seus! 

TODOS SOMOS PONTES UNS DOS OUTROS! NÃO ESQUEÇA!

UM ABRAÇO DESDE A PONTE

CARMELO J. SERRA

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Os 12 Princípios para quem cuida de pessoas

Depois de andar por mais de 15 anos no universo de equipamentos que tratam de Dependentes Químicos e Alcoólatras e outros que equipamentos que tem foco no cuidar de pessoas ou ajuda las, tenho que admitir que quem mais aprendeu nesta caminhada e quem mais foi ajudado fui eu. De cada lugar onde trabalhei, de cada interno, cada usuário e cada família eu levo um pouco de conhecimento além do que eu tinha antese por isso sou grato. Desde no ano 1999 que aprendo com eles e não quero parar de aprender, alias estou faz alguns tempos afastado da área e estou lutando para voltar, não por apenas fatores profissionais ou económicos, mais humanísticos, não tem como negar, se alguma coisa eu sei da vida, foi da mão dos "pacientes" que atendi, liderei, resgatei e até dos que eu perdi, todos deixaram um pouco de sabedoria comigo. Mais, também me lembro bem de cada equipe que gerenciei, me lembro de quase todos os membros de todas as equipes, desde monitoria, até quando consegui me qualificar a ser parte de equipes técnicas. Porém, também me lembro de algumas passagens um pouco não tão agradáveis, erros que eu mesmo cometi no inicio e que precisei admitir e modificar a minha perspectiva. Estes erros quase sempre são por conta de uma caraterística que é inerente ao ser humano, lidar com o poder, com a tomada de decisão e ocupar uma posição de liderança. Para nós, seres humanos, o ter nas mãos a liderança ou o poder acima de pessoas no âmbito do trabalho deve ser observado com muito cuidado, deve ser exercido com maior cuidado ainda, pois acontece que o poder de tomada de decisão e a liderança as vezes embasam um pouco os limites e a necessidade de aprender a lidar com os sentimentos que são gerados por essas funções. Eu tive que fazer um movimento de bastante humildade para reconhecer que é difícil lidar com o poder da liderança, tive que aprender, pois em se tratando de pessoas em risco social, uma palavra ou mesmo um pequeno gesto podem desencadear uma crise muito grave, pode até mesmo se perder uma vida por causa de um erro. E assim foi que tive que descer um pouco do meu conhecimento técnico e olhar pelo lado humanístico a questão da Dependência Química e do Alcoolismo, fui buscar isso justamente na famílias dos próprios internos, nos mesmos internos e em terapeutas da velha guarda. O tempo foi passando e eu me converti num coaching de grupos de cuidadores de pessoas, monitores, terapeutas e conselheiros.
De toda esta experiência, o melhor que aprendi e preciso aprender diariamente e´ o lidar com os próprios sentimentos a fim de que essa sensação de poder ou liderança não tome. conta de mim
A vários anos atrás ei fui convidado a fazer uma palestra para algumas equipes que trabalhavam no Terceiro Setor, o tempo de preparação para essa palestra era muito pouco e não tinha como adiar o compromisso, foi naquele momento que tive o insight de criar uma serie de princípios baseados nos 12 Passos, que após a palestra viraram uma cartilha em vários equipamentos e em todos os outros trabalhos que fiz, de lá para cá me ajudaram muito a lidar com o meu EGO 
 12 Princípios Para Quem Cuida De Pessoas 
 1-O servir, o cuidar, o liderar pessoas, não devem nunca gerar em nós qualquer sentimento de potência, mais a sensação de que apenas estamos cumprindo a nossa obrigação. 
2-A nossa autoridade maior reside apenas num Poder Superior amoroso, ele terá plena autoridade na nossa consciência de serviço.
3-O requisito primordial para fazer parte do grupo, deve ser o amor ao próximo. 
4-Ainda que tenhamos plena autonomia na tomada de decisões, esta autonomia deve obedecer a abnegação, e não a promoção.
5-O nosso propósito primordial será acreditar sempre que a recuperação é possível para qualquer um, independente do nosso julgamento. 
6-Nunca nenhum membro da equipe estará acima, na sua autoridade, da mesma equipe, lembrando sempre de princípios acima de personalidades, e que o Poder Superior se manifesta na consciência coletiva. 
7--A nossa equipe não manda, não governa, mais serve a um Poder Superior nos outros Embora que devamos manter sempre uma postura profissional, isto nunca estará acima do humanismo. 
8-Nunca acreditaremos que o pertencer está relacionado ao mérito, mais com a misericórdia do Poder Superior. 
9-O julgar e o pensar estará sempre vinculado a pretensão de ajudar e não ao ego. 
10-O contato consciente com o Poder Superior será o nosso conselheiro ao determinar caminhos a serem tomados 
11-O evitar sofrimentos, perdas e retrocessos serão o norte da nossa tarefa, lembrando sempre de onde viemos e que em cada derrota teremos uma coluna a menos na nossa própria evolução. E que tudo o que possamos fazer, será pouco diante do que o Poder Superior tem feito por nós. 
12-Não sei se estes princípios são as melhores ferramentas para lidar com o sentimento de potencia que traz a liderança, mais que me fazem lembrar que entre liderados e lideres a diferença é mínima isso sim!