terça-feira, 26 de julho de 2016

A pílula e a Dependência Química



A Dependência Química e o Alcoolismo são doenças tão complexas quanto o ser humano, creio que isso é uma unanimidade dentre profissionais e leigos.

Doença primaria, de comportamentos hiper aprendidos, predisposição genética, hereditarismo, manifestação de outras doenças, doença psiquiátrica, emocional, espiritual, são algumas das definições para descrever esta enfermidades, estas definições podem ser apontadas por separado ou mesmo em conjunto.

Em se tratando de Dependência Química creio que a sintomatologia explica por si mesma o porque que não se tem encontrado a cura, porque se fala em tratamento, e porque este tratamento requer um mudança que começa na postura e vai quase até o âmago do indivíduo.

Na verdade o tratamento desta doença exige uma mudança em quase todos os segmentos de vida da pessoa, para se ter sucesso na recuperação.

Por este motivo eu fico pasmo quando aqui e lá surgem medicamentos ou pessoas que vendem a cura.

Onde será que eu posso comprar a pírola que cura a Auto Obsessão por exemplo?

Onde será que consigo esse medicamento que vai sarar os defeitos de caráter inerentes a vida do alcoólatra na ativa ou que exorcize o Egocentrismo, ou o Ressentimento, a Raiva e outros estados alterados da razão e das emoções?

Pois bem, existem tratamentos que exigem que para tomar esta ou aquela pílula a pessoa precisa ter a vontade de para de usar, e a predisposição a mudança, para depois de pagar uma soma em dinheiro, quase sempre bastante alta, essa pessoa tome essa pílula, ou beba aquele chá, ou faça aquela dança, sei lá!

E aí onde mora meu desgosto, porque para seguir um tratamento que tem alto resultado e está dando certo em 180 países, só é necessário exatamente o mesmo que para tomar a tais pílulas, apenas com a diferença de que ninguém tem que correr risco de morte, ter efeitos indesejados ou cair na armadilha de perder parte das economias.

Volto a dizer, nada tenho contra tratamentos alternativos para a Dependência Química ou o Alcoolismo, muito pelo contrario conheço vários que funcionam.

O que me deixa perplexo é o fato de que existem pessoas que tem tão poucos escrúpulos, ao ponto de vender a cura para doenças que não tem cura comprovadamente, e o que me deixa triste é ver famílias que no desespero de ajudar entes queridos que sofrem destas doenças acreditam em algo que somente é positivo para quem lucra com esse desespero...

domingo, 17 de julho de 2016

Comentario ao tratamento de Dependêntes Químicos




O atendimento a dependentes químicos e alcoólatras caracteriza algumas etapas, estas etapas devem ser cumpridas na sua extensão e totalidade para ser alcançado o objetivo fundamental do processo que é a abstinência continua através de mudanças comportamentais e de pensamento: desintoxicação, objetivando a retirada da substância; adequação ao dia a dia sem drogas, adaptabilidade ao meio em abstinência, interiorização de informações, confronto das mesmas, ressocialização progressiva e manutenção da abstinência no pós-tratamento, objetivando a reorganização da vida do indivíduo sem o uso da substância.

Desintoxicação:

O trabalho do medico é de extrema valia nesta fase inicial do tratamento de dependentes químicos, ele quem vai direcionar os procedimentos dirigidos à retirada da droga. Compreende a administração de medicamentos com o objetivo de minimizar sintomas decorrentes da retirada da droga,principalmente nas crises de abstinência ,(ansiedade, depressão, fobias, etc...) As características e a intensidade do sofrimento físico e psíquico decorrentes da suspensão da droga dependem do tipo de substância utilizada e do padrão de consumo da mesma. Assim como a  reação individual do paciente.

Acompanhamento psicoterapêutico

Após a anamnese individual, cria-se um objetivo explícito, conduzido pelos psicólogos e consultores, cujo conteúdo é elaborado criteriosamente, orientando de forma correta a hipótese diagnóstica e definindo o plano terapêutico.

Nesta fase, o paciente é submetido a tantas sessões terapêuticas quanto forem necessárias, sendo a todos obrigatoriamente uma sessão individual e uma em grupo por semana.

Anamnese  alguns objetivos da mesma;

Estabelecer a relação equipe/paciente.
Obter os elementos essenciais da história clínica do dependente químico.
Conhecer os fatores pessoais, familiares e ambientais relacionados com o processo saúde/doença.
Obter os elementos para guiar o terapeuta no diagnóstico.
Definir a estratégia de investigação complementar.
Direcionar a terapêutica em função do entendimento global a respeito do paciente.
Definir comorbidades associadas ao uso ou não de drogas, conduta exclusiva do médico responsável.

Terapias aplicadas recomendadas:

Psicoterapia individual: A psicoterapia individual é indicada na abordagem psicodinâmica dos casos mais complexos e em situações que se mostrem de alguma forma inadequadas para um trabalho em grupo.

Psicoterapia de grupo: A psicoterapia de grupo constitui recurso terapêutico privilegiado na medida em que oferece ao dependente uma diversificação de contatos interpessoais que possibilita o encontro com interlocutores que partilham das mesmas expectativas, angústias, conquistas e frustrações. O grupo funciona como matriz de novos modelos identificatórios, proporcionando as seus integrantes novos vínculos e diferentes vetores de relacionamento

Dinâmicas de Grupo: As dinâmicas são instrumentos, ferramentas que estão dentro de um processo de formação e organização, que possibilitam a criação e recriação do conhecimento.

As técnicas participativas geram um processo de aprendizagem libertador porque permitem:
Desenvolver um processo coletivo de discussão e reflexão.
Ampliar o conhecimento individual, coletivo, enriquecendo seu potencial e conhecimento.
Possibilita criação, formação, transformação e conhecimento, onde os participantes são sujeitos de sua elaboração e execução Uma técnica por si mesma não é formativa, nem tem um caráter pedagógico. Para que uma técnica sirva como ferramenta educativa libertadora deve ser utilizada em função de temas específicos, com objetivos concretos e aplicados de acordo com os participantes com os quais esteja trabalhando.

Terapia Racional Emotiva: Método dos doze passos

Reunir informações para que o paciente, pondo em prática seus ensinamentos, reúna condições de melhor qualidade de vida.

Laborterapia

Tem por objetivo proporcionar ao interno o senso de responsabilidade, recebendo tarefas compatíveis ao seu estado geral, devem cuidar de seus objetos pessoais, asseio e arrumação do seu ambiente de convivência, e em muitos casos reeducando a pessoa aos conceitos mínimos de higiene pessoal e ambiental, que muitas vezes são perdidos no pleno uso de substancias psicoativos.

Espiritualidade

Sem cunho religioso, busca o reequilíbrio espiritual do indivíduo, com reuniões diárias de estudo bíblico.

O usuário deve ser abordado sob diversos prismas:

Orgânico - Efetuando a desintoxicação, através de alimentação balanceada, e uso farmacológico quando necessário sob orientação de médico psiquiatra responsável.

Mental - Através de uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos, terapeutas, e colaboradores, especializados no tratamento de fármaco-dependentes.

Disciplinar - Este método consiste em avaliações diárias da conduta do paciente,analisando sua capacidade em seguir regras , cumprir metas , conduta social perante seus colegas de internação e interação aos membros das equipes clinica e disciplinar.

O dependente deve ser mantido em regime de internato por um período, onde serão feitas avaliações psiquiátricas e psicológicas e as diversas atividades terapêuticas propostas.

O prazo do tratamento proposto deve contemplar todos os estágios acima descritos e as respectivas terapias, sendo um prazo adequado para a permanência de no mínimo 240 a 270 dias sob regime de internação dependendendo da evolução do interno.

Logo após este período o pós-tratamento deve adequar se as necessidades de cada individuo.

Muito importante é a participação dos familiares nas reuniões de tratamento familiar, tem por objetivo, a participação do processo terapêutico e conscientização de como a co dependência influencia no sucesso ou não do programa de tratamento.

                                                                                                                          Carmelo J. Serra