domingo, 22 de maio de 2016

12 Passos e Religião

Um dos princípios para a recuperação é o de que o sucesso é baseado em desistir da autoconfiança e da força de vontade, e se basear em Deus, ou em algum "poder superior". Os críticos destes programas, no entanto, muitas vezes opinam que esta dependência divina é ineficaz, e ofensiva ou inaplicável aos ateus e outros que não acreditam em uma divindade salvífica. Proponentes de programas de 12 Passos argumentam que muitos ateus foram ajudados pelo programa.
O papel da religião em grupos de 12 Passos  tem tido nos últimos anos uma importância muito grande, porem este programa não tem vinculo com religião nenhuma, ainda existem pessoas desinformadas que acreditam que os mesmos 12 Passos foram extraídos da Bíblia, isto não e verídico, e se fosse então por este motivo as religiões que tem outros textos como base estariam excluídas deste programa, quer dizer que apenas os Católicos ou Evangélicos seriam detentores dos 12 Passos, quando na realidade este programa aglutina pessoas de todas as religiões no mundo inteiro assim também ateus e gnósticos sem excluir ninguém, e sem dar maior importância a este ou aquele individuo pertencente a qualquer religião, os 12 Passos são um programa laico por natureza que não prega nenhum tipo de religiosidade.   Os 12 Passos, são princípios "espirituais, mas não religiosos".
Tal vez seja por isto que nos grupos de autoajuda encontramos juntos  pessoas que muitas vezes são separadas por motivos religiosos, o foco dos 12 Passos é justamente esse, levar a mensagem a todos os indivíduos que precisem e queiram uma mudança de atitude perante a vida, e a subsequente sobriedade como resultado da pratica do programa.


                                                                                                          Carmelo J. Serra

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Os 12 Passos, um pouco de historia



O programa de Doze Passos (twelve-step program) é um programa criado nos Estados Unidos em 1935  por Bill W. e o Dr. Bob S., inicialmente para o tratamento do alcoolismo  e mais tarde estendido para praticamente todos os tipos de dependência química. É a estratégia central da grande maioria dos grupos de Mútua-ajuda para o tratamento de dependências químicas ou compulsões, sendo mais conhecidos no Brasil os Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos.
Todos os programas de recuperação seguem a mesma versão dos 12 passos com pequenas adaptações linguísticas, mais com o mesmo foco de mudança de hábitos.
O primeiro desses programas foi o Alcoólicos Anônimos ou simplesmente AA, iniciado em 1935 por William Griffith Wilson e pelo Doutor Bob Smith, conhecidos pelos membros do AA como "Bill W" e "Dr. Bob", em Akron, Ohio, estados Unidos. Eles criaram a tradição de utilizar apenas o primeiro nome para se identificar nos grupos "anônimos" de Doze Passos. Os 12 passos foram originalmente escritos por Wilson e outros membros no início do AA como modo de codificar o processo que acharam funcionar para eles pessoalmente. Esses 12 passos foram essencialmente uma nova versão dos 6 passos do "Grupo de Oxford” um grupo criado pelo missionário cristão Frank Buchman que defendia a crença na orientação divina, como base para o tratamento e crescimento do ser humano, (o nome Oxford refere à origem geográfica dos membros, não à Universidade de Oxford), com quem Wilson tinha contato. Wilson então escreveu o livro "Alcoólicos Anônimos", frequentemente chamado de "Big Book" (grande livro).
Uma vez reconhecendo um nível surpreendente de recuperação no trabalho com alcoólatras do programa, o grupo Akron autorizou Wilson a escrever um livro sobre o programa. Mas Wilson retornou pra Nova Iorque e escreveu um programa inteiramente diferente baseado, principalmente, no que ele aprendeu com o Reverendo Samuel M. Shoemaker, Jr., reitor da Igreja Episcopal da Cavalaria em Nova York e um líder do Grupo Oxford na América. Para as ideias de Shoemaker, que foram encontradas quase literalmente no Doze Passos, Bill adicionou no seu Grande Livro (o novo texto básico) ideias do Dr. William D. Silkworth sobre alcoolismo, ideias do Dr. Carl G. Jung sobre a necessidade de uma conversão, ideias primariamente do Professor William James e escritores do New Throught sobre um assim chamado "poder superior", pensamentos de Anne Smith (esposa do Dr. Bob) do Spiritual Jouney técnicas práticas de Richard Peabody estabelecidas no livro "Senso Comum de Beber" dele, e um conhecimento limitado de palavras e frases com a origem do "Novo Pensamento" e "Nova Era" como "Mente Universal", "Czar do Universo", "quarta dimensão de existência", e "poder superior". Em seguida, Wilson declarou que havia um programa de recuperação que consistia nos Doze Passos. Shoemaker pediu para escreverem os passos, mas declinou. Os passos podem ser reconhecidos como surgidos no grupo de Oxford no final 1934 e início de 1935.
A.A. foi, em sua origem, pode ser comparada a uma "religião" e a uma "organização religiosa". Porem o  conceito de "espiritual, não religioso," parece ter derivado do desejo de manter a religião separada da A.A. embora os preceitos e práticas da A.A. foram bíblicas em raízes e natureza. Assim cedo reuniões da A.A. em Nova Iorque foram chamadas de  "O Companheirismo de Cristo no Primeiro Século", em seguida, também conhecido como o "Grupo Oxford". A ideia de "espiritualidade" foi inicialmente definida por Wilson como a dependência do Criador.
Alguns dizem que, desde a publicação do livro "Alcoólicos Anônimos", "Novo Pensamento" e "Nova Era", substituir palavras têm impulsionado A.A. a falar e escrever para a incredulidade e substitucionalidade, universalismo laico para fomentar justamente o relacionamento com Deus - o grande  objetivo confesso dos Passos.
O Doze Passos foi eventualmente comparado com o Doze Tradições um conjunto de orientações para a execução de vários grupos e uma espécie de constituição da irmandade.
Muitos outros programas têm adaptado os passos originais dos A.A. para os seus próprios fins. Programas relacionados existem para ajudar familiares e amigos de pessoas com dependências, bem como aqueles com problemas diferentes do álcool. Estes programas também seguem versões modificadas dos Doze Passos dos Alcoólicos Anônimos.
Uma organização que é muitas vezes confundida com um programa de Doze-Passos de algum "Anônimo", devido à semelhança intencional de seu nome — masnão é — é o Narconon, este é um ramo da Igreja da Cientologia, que ministra uma especie de  doutrinas e práticas como uma terapia para os toxicodependentes. Narconon não utiliza os Doze Passos, e não está relacionada nem aos Narcóticos Anônimos (NA) nem a Nar-Anon, apesar da semelhança dos nomes.
Hoje em dia os 12 Passos são um dos métodos que ao redor do mundo ajudam pessoas com Dependência Química e Alcoolismo, e tal vez podem ser catalogados como o melhor programa de reabilitação jamais escrito por leigos na historia da humanidade...
                                                        
                                                                                                                   Carmelo J. Serra

domingo, 15 de maio de 2016

Considerações...

Um amigo me mandou uma carta por e-mail, nesta carta escrita por um religioso encontrei alguns pontos que me chamaram muito a atenção, pois este religioso descreve nela que tem um profundo conhecimento sobre dependência química e alcoolismo, eu depois de ler a carta não pude mais que me surpreender, pois descobri nela que a profundeza do conhecimento não necessariamente tem relação com a imparcialidade imprescindível para tratar assertivamente de qualquer doença, e as vezes o conhecimento esta relacionado com apenas a falta de informação, ou mesmo as vezes eu mesmo posso ate acreditar que tenho um grande conhecimento, quando na verdade o meu conhecimento apenas representa outros interesses, alem do objetivo primordial de ajudar pessoas, que não deve ser outro que tentar evitar sofrimentos, ou mesmo a interrupção da vida.
Eu me propus a escrever estas linhas onde transcrevo parte do que nessa carta foi escrito, e sempre respeitando a opinião alheia escrevo o que eu interpreto sobre a verdade, ou melhor o que tenho aprendido depois de 15 anos acompanhando pessoas e famílias que sofrem com as doenças da dependência química e o alcoolismo.
A ideia aqui não é criar controvérsias ou gerar polemicas, nada que se assemelhe com disputa, ao final conheço muitos religiosos que fazem trabalhos extraordinários de recuperação e eu mesmo tenho dividido muitas horas e aprendido muito com pessoas muito especiais, o Padre Haroldo Rham, Padre Léo, Pastor Calebe e Mauro, ambos fundadores em São Paulo de uma das melhores Comunidades Terapêuticas do Brasil, e muitos outros na minha trajetória ate hoje, entre muitos outros.
Apenas quero discernir sobre alguns pontos desta carta, a fim de expor minha maneira de pensar e tal vez contribuir com o esclarecimento de algumas duvidas que pairam como uma sombra sobre o tratamento de pessoas dependentes químicos e alcoólatras.
Estarei semanalmente postando partes dessa carta, e expondo a minha maneira de pensar, quem sabe assim a gente consiga evitar que graças a confusão mais e mais pessoas se percam todos os dias enquanto cada vez mais se trocam papeis de atuação em nome do sectarismo. 

Carta:
Uma comunidade terapêutica sem uma capela ou oratório como local apropriado para o despertar espiritual e seu desenvolvimento, não é recomendável. Existem casas onde a cozinha é o seu coração; noutras, o coração é a sala de atendimento psicológico; noutras é a sala de musculação... Ou a espiritualidade norteia todo o conjunto da casa ou não é CT.

Resposta:
Não existe base científica que comprove que esta ou aquela religião tenham a saída para qualquer tipo de doença, em se tratando da dependência química o associar a Espiritualidade necessária a recuperação com a religiosidade, pelo contrario se provoca um choque e se instaura uma crise a mais na pessoa do interno em tratamento, quer dizer que em vez da C.T. contribuir a diluir duvidas, informar, tratar, ela se transforma no gatilho de mais uma crise existencialista, num confronto de crenças, ao se confundir a espiritualidade com religiosidade o coração da C.T., que tem que ser o próprio interno é trocado por um conjunto de dogmas e disciplinas e o maior interesse que deve ser a vida e a reabilitação da pessoa, passa a ser a pregação religiosa.
Com toda certeza, a espiritualidade é uma parte fundamental na recuperação de pessoas, apenas uma parte, que junto com disciplinas e técnicas aumenta muito as chances de reabilitação.
Um dos maiores fatores de recaídas de volta ao uso e a falsa ideia de que só a espiritualidade é suficiente para a recuperação.
Também temos que levar em consideração que a reabilitação não é apenas direcionada as pessoas que tem uma religião, pois existem Ateus, Gnósticos ou simplesmente pessoas que não professam nenhum tipo de religião, essas pessoas também tem total possibilidade de reabilitação e ate direito também a aceder a recuperação e a Espiritualidade, assim mesmo outras pessoas que tem credos que não obedecem a rituais ortodoxos (Espiritas, Umbandistas, Islâmicos e outras tantas repeitáveis maneiras de encontrar Deus).

Temos que ter bem claro que a Espiritualidade não é de jeito nenhum propriedade de qualquer religião ou credo e sim de qualquer pessoa que possa ter a crença em algo alem de se mesmo, sem que necessariamente esta crença esteja atrelada a religião.
A gente não pode ser tão medíocre ao ponto de limitar a reabilitação a esta ou aquela religião, quando a mesma reabilitação é um caminho de liberdade e livre escolha!
Sem duvida uma capela é um lugar muito pitoresco, muito bonito de se visitar, porem, creio que o consultório da Psicologa e da Consultoria em Dependência Química são muito mais apropriados para a recuperação!
Assim como sentar-se debaixo de uma arvore a meditar ou conversar com qualquer Poder Superior que ajude na recuperação tem igual ou ate melhor efeito que uma capela, igreja, religião ou coisa parecida!

Carmelo J. Serra

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Os 13 princípios para o tratamento eficaz (N.I.D.A)



PRINCIPIO 1 Um único tratamento não é apropriado para todos os indivíduos. Combinar locais de tratamento, intervenção e serviços para os problemas e necessidades de cada indivíduo em particular é indispensável para o sucesso final ao retornar para o funcionamento produtivo na família, local de trabalho e sociedade.

PRINCIPIO 2 O tratamento precisa estar prontamente disponível. Pelo fato de que os indivíduos dependentes em drogas podem estar duvidosos quanto a iniciarem em tratamento, aproveitar as oportunidades quando eles estão prontos é fundamental. Candidatos potenciais podem ser perdidos se o tratamento não estiver imediatamente acessível.

PRINCIPIO 3 Um tratamento eficaz é aquele que atende às diversas necessidades do indivíduos e não apenas ao uso de drogas. Para ser eficaz, um tratamento deve abordar o uso de drogas do indivíduo e quaisquer outros problemas associados: médico, psicológico, social, vocacional e legal.

PRINCIPIO 4 O tratamento de um indivíduo e o plano de serviços devem ser continuamente avaliados e modificados quando necessário para garantir que o plano atenda às necessidades mutante da pessoa. Um paciente pode precisar de combinações variadas de serviços e componentes de tratamento durante o curso da terapia e recuperação. Além de aconselhamento ou psicoterapia, um paciente às vezes pode requerer medicação, outros serviços médicos, terapia familiar, instruções aos pais, reabilitação vocacional, serviços legais e sociais. É fundamental que a abordagem do tratamento seja apropriada à idade, gênero, etnia e cultura do indivíduo.

 PRINCIPIO 5 A permanência no tratamento por um período adequado de tempo é essencial para sua eficácia.

A duração apropriada para um indivíduo depende de seus problemas e necessidades. Pesquisas indicam que para a maioria dos pacientes o limiar de melhoria significativa é alcançada com 3 meses de tratamento. Após alcançar esse limiar um tratamento adicional pode produzir mais progresso rumo à recuperação. Devido ao fato de as pessoas com freqüência deixarem o tratamento prematuramente os programas devem incluir estratégias para envolver e manter os pacientes

PRINCIPIO 6 Aconselhamento (individual e / ou em grupo) e outras terapias comportamentais são componentes cruciais para um tratamento eficaz. Em terapia os pacientes mencionam temas como motivação, aquisição de habilidades para resistir ao uso de drogas, substituição de atividades que não impliquem em uso de drogas e melhoria de habilidades para resolver problemas. A terapia comportamental também facilita relações interpessoais e a habilidade do indivíduo para atuar em família e na comunidade.

 PRINCIPIO 7 Medicações são um elemento importante no tratamento de vários pacientes, especialmente quando combinadas com aconselhamento e outras terapias comportamentais. Naltrexona é uma medicação eficaz para alguns pacientes com dependência de álcool. Para pessoas dependentes de nicotina, um produto de substituição da nicotina ( tais como adesivos ou gomas ) ou uma medicação oral ( bupropion ) pode ser um componente eficaz no tratamento. Para pacientes com distúrbios mentais, tanto os tratamentos comportamentais quanto os medicamentos podem ser de fundamental importância

 PRINCIPIO 8 Indivíduos com distúrbios mentais que sejam dependentes das drogas devem ser tratados de maneira integrada de ambos os problemas. Pelo fato de distúrbios mentais e de dependencia freqüentemente ocorrerem no mesmo indivíduo, os pacientes que apresentarem ambas as condições devem ser avaliados e tratados pela recorrência de outro tipo de distúrbio. 

PRINCIPIO 9 Desintoxicação médica é apenas o primeiro estágio do tratamento e por si mesma contribui pouco para mudança a longo prazo de uso de droga. Desintoxicação médica seguramente administra os sintomas físicos agudos de abstinência associada à interrupção de uso de droga. Enquanto a desintoxicação sozinha é raramente suficiente para auxiliar atingir abstinência por longos períodos, para alguns indivíduos é um precursor fortemente indicado em tratamento eficaz das drogas.

PRINCIPIO 10 O tratamento não precisa ser voluntário para ser eficaz. Uma forte motivação pode facilitar o processo do tratamento. Sanções ou carinho na família, estabelecimento de emprego ou o sistema criminal de justiça podem aumentar significativamente tanto a entrada no tratamento quanto índices de retenção e o sucesso de intervenções no tratamento de droga. Pode-se inclusive recorrer a internações involuntárias para forçar o paciente a se tratar. Para isso é necessário uma indicação médica precisa. 

PRINCIPIO 11 O possível uso de droga durante o tratamento deve ser monitorado continuamente. Lapsos de uso de uso de drogas podem ocorrer durante o tratamento. O objetivo do monitoramento ao uso de álcool e droga de um paciente durante o tratamento, tal como através de exames de urina ou outros, pode ajudar o paciente a resistir ao uso de drogas. Tal monitoramento também pode proporcionar evidência prévia de uso de droga a fim de que o plano de tratamento do indivíduo possa ser ajustado. Feedback a pacientes que apresentarem resultado positivo quanto ao uso de droga é um elemento importante de monitoramento.

PRINCIPIO 12 Programas de Tratamento devem proporcionar avaliação para AIDS/ HIV, Hepatite B e C, Tuberculose e outras doenças infecciosas e Aconselhamento para ajudar pacientes a modificarem comportamentos de risco de infecção. Aconselhamento pode ajudar pacientes a evitarem comportamento de risco. Pode também ajudar pessoas que já estejam infectadas a lidarem com sua doença. Aconselhamento pode ajudar pacientes a evitarem comportamento de risco. Pode também ajudar pessoas que já estejam infectadas a lidarem com sua doença.

 PRINCIPIO 13 A recuperação da Dependência Química pode ser um processo a longo prazo e freqüentemente requer vários episódios de tratamento. Tal como outras doenças crônicas, recorrências ao uso, de drogas podem acontecer durante ou após episódios de tratamento bem sucedidos. Indivíduos podem requerer tratamento prolongado e vários episódios de tratamento para atingir abstinência a longo prazo e restaurar funcionamento pleno. A participação em programas de apoio, de auto-ajuda, durante o tratamento é sempre útil na manutenção da abstinência.

Carmelo J. Serra