sábado, 4 de junho de 2022

A recuperação da autoestima e sua importância no tratamento de D.Q´s e Alcoolistas





Acredito ser uma definição mais adequada da autoestima como a opinião acerca de si (autoconceito), somada ao valor ou sentimento que se tem de si mesmo (amor próprio, autovalorização), adicionado a todos os demais comportamentos e pensamentos que demonstrem a confiança, segurança e valor que o indivíduo dá a si (autoconfiança), nas relações e interações com outras pessoas e com o mundo. Então, não estamos falando apenas de um sentimento que temos por nós mesmos. Mais que isso, estamos falando de pensamentos e comportamentos que temos relacionados a nós mesmos.
Pensar, o que determina uma baixa autoestima? O que fizemos ou fazemos para que o sentimento e as atitudes que temos conosco tornem-se tão negativos ou tão baixos, diminuindo-nos? E assim nos auto excluímos do convívio social!

Os estudos sobre autoestima apontam em sua extensa maioria para influencias presentes em nossa infância (Rosenberg, 1983 e Coopersmith, 1967). A definição individual de sucesso e fracasso, as aspirações e exigências que a pessoa coloca a si mesma para determinar o que constitui sucesso; e, a forma de reagir a críticas ou comentários negativos.” (Gobitta & Guzzo, 2002)

Podem de forma mais abrangente apontar situações que, quando presentes na vida de uma pessoa, são mantenedoras de uma baixa autoestima, tais como: críticas, rejeições, humilhações, abandono, desvalorizações e perdas. Importante frisar que a construção dessa percepção negativa de si mesmo é resultado de interações sociais (familiares, escolares, profissionais, entre outras…). Nelas a pessoa vivencia situações onde é colocada numa posição de sentir-se inferiorizada e de menor valia.

Isto pode ser determinante para a formação da autoimagem e o censo de autocritica da pessoa ao ponto dela passar a se comportar, a agir consigo e com as pessoas baseadas nestas experiências..

Tudo esta relacionado ao meio onde o indivíduo se encontra; a necessidade ao que está sendo exigido da pessoa; os sentimentos tendem a ilustrar as emoções ( boas ou ruins) que causam a vontade de mudar e, as oportunidades são os novos conhecimentos e aprendizagem que levam a pessoa a refletir, a expandir sua mente, a repensar seus posicionamentos e transformar suas ideias e ações.

Para reforçar ideias proativas e desconstruir o que pode se chamar de pensamento negativo condutual ou condicionado, é importante que nos equipamentos de tratamento criem-se atividades a fim de oportunizar aos acolhidos ou internos, momentos de reflexão onde eles possam ser protagonistas de alguma ação e observar as mudanças podendo assim despertar em si, novas perspectivas de vida.



sexta-feira, 27 de maio de 2022

O Modelo Minnesota de tratamento para D.Q´s e Alcoolistas

 



Criado há cerca de 50 anos nos Estados Unidos o Modelo Minnesota continua sendo uma das abordagens mais eficazes e inovadoras no tratamento do alcoolismo e da dependência química.

O que é o Modelo Minnesota?

Trata-se de um modelo terapêutico que integra várias técnicas psicológicas com o programa de recuperação de Doze Passos originalmente desenvolvido pelos Alcoólicos Anônimos e que depois serviu de base para a criação de várias irmandades de recuperação, como os Narcóticos Anônimos.

A filosofia dessas irmandades se baseia na ideia de que ninguém melhor que um alcoólico ou adicto para ajudar outro alcoólico ou adicto a se recuperar do uso abusivo de álcool e drogas.

Como surgiu o Modelo Minnesota?

A história do Modelo Minnesota começa com o surgimento, em Minneapolis, no estado americano do Minnesota – daí o nome do método – da Pioneer House, em 1948, por Patrick Cronin.

Considerado o primeiro Addiction Counselour, ou seja, Conselheiro de Adicção, um alcoólico que conseguiu a sobriedade através do AA e passou a utilizar a sua experiência para ajudar no tratamento e na recuperação dos alcoólicos que buscavam ajuda naquela instituição.

Paralelamente à Pioneer House, foi criado, também no Minnesota, na cidade de Center City, o centro Hazelden, de cujos pacientes era esperado que praticassem comportamentos de responsabilidade, como arrumarem suas próprias camas, assistirem palestras sobre os Doze Passos e envolverem-se com outros pacientes.

Além disso, um dos residentes era um conselheiro alcoólico em recuperação.

Hoje, a Hazelden Foundation é referência mundial em tratamento da adicção. A frase que intitula este artigo é de Jerry Spicer, que foi o Presidente da Hazelden Foundation de1949 a 2011.

Mas a instituição considerada pioneira, no que veio a ser conhecido como “Modelo Minnesota”, é o Willmar State Hospital em Minnesota, onde 80% dos pacientes tinham diagnóstico de alcoolismo.

Os profissionais do hospital começaram a aprender com os alcoólicos em recuperação sobre o processo de parar de usar e viver uma vida plena.

Por outro lado, os alcoólicos em recuperação começavam a receber treinamento dos profissionais do hospital e, assim, se desenvolve um ambiente com diversas atividades, consultas individuais, terapia de grupo, dinâmicas e palestras, tudo isso objetivando facilitar aos pacientes a admissão de seu problema e a reformulação do seu estilo de vida, tendo em vista desencadear um processo duradouro de recuperação.

Com o tempo, tornou-se evidente que o elemento mais importante para proporcionar a contínua abstinência e a obtenção de uma nova maneira de viver eram exatamente os grupos informais de dependentes, durante cujas reuniões trocavam suas experiências – ou seja, partilhavam – e, assim, conseguiam manter a sobriedade e aprender a viver sem o álcool.

Hoje, o Modelo Minnesota é um dos mais adotados no Brasil pelas comunidades terapêuticas de tratamento de dependência de álcool e outras drogas