domingo, 17 de julho de 2016

Comentario ao tratamento de Dependêntes Químicos




O atendimento a dependentes químicos e alcoólatras caracteriza algumas etapas, estas etapas devem ser cumpridas na sua extensão e totalidade para ser alcançado o objetivo fundamental do processo que é a abstinência continua através de mudanças comportamentais e de pensamento: desintoxicação, objetivando a retirada da substância; adequação ao dia a dia sem drogas, adaptabilidade ao meio em abstinência, interiorização de informações, confronto das mesmas, ressocialização progressiva e manutenção da abstinência no pós-tratamento, objetivando a reorganização da vida do indivíduo sem o uso da substância.

Desintoxicação:

O trabalho do medico é de extrema valia nesta fase inicial do tratamento de dependentes químicos, ele quem vai direcionar os procedimentos dirigidos à retirada da droga. Compreende a administração de medicamentos com o objetivo de minimizar sintomas decorrentes da retirada da droga,principalmente nas crises de abstinência ,(ansiedade, depressão, fobias, etc...) As características e a intensidade do sofrimento físico e psíquico decorrentes da suspensão da droga dependem do tipo de substância utilizada e do padrão de consumo da mesma. Assim como a  reação individual do paciente.

Acompanhamento psicoterapêutico

Após a anamnese individual, cria-se um objetivo explícito, conduzido pelos psicólogos e consultores, cujo conteúdo é elaborado criteriosamente, orientando de forma correta a hipótese diagnóstica e definindo o plano terapêutico.

Nesta fase, o paciente é submetido a tantas sessões terapêuticas quanto forem necessárias, sendo a todos obrigatoriamente uma sessão individual e uma em grupo por semana.

Anamnese  alguns objetivos da mesma;

Estabelecer a relação equipe/paciente.
Obter os elementos essenciais da história clínica do dependente químico.
Conhecer os fatores pessoais, familiares e ambientais relacionados com o processo saúde/doença.
Obter os elementos para guiar o terapeuta no diagnóstico.
Definir a estratégia de investigação complementar.
Direcionar a terapêutica em função do entendimento global a respeito do paciente.
Definir comorbidades associadas ao uso ou não de drogas, conduta exclusiva do médico responsável.

Terapias aplicadas recomendadas:

Psicoterapia individual: A psicoterapia individual é indicada na abordagem psicodinâmica dos casos mais complexos e em situações que se mostrem de alguma forma inadequadas para um trabalho em grupo.

Psicoterapia de grupo: A psicoterapia de grupo constitui recurso terapêutico privilegiado na medida em que oferece ao dependente uma diversificação de contatos interpessoais que possibilita o encontro com interlocutores que partilham das mesmas expectativas, angústias, conquistas e frustrações. O grupo funciona como matriz de novos modelos identificatórios, proporcionando as seus integrantes novos vínculos e diferentes vetores de relacionamento

Dinâmicas de Grupo: As dinâmicas são instrumentos, ferramentas que estão dentro de um processo de formação e organização, que possibilitam a criação e recriação do conhecimento.

As técnicas participativas geram um processo de aprendizagem libertador porque permitem:
Desenvolver um processo coletivo de discussão e reflexão.
Ampliar o conhecimento individual, coletivo, enriquecendo seu potencial e conhecimento.
Possibilita criação, formação, transformação e conhecimento, onde os participantes são sujeitos de sua elaboração e execução Uma técnica por si mesma não é formativa, nem tem um caráter pedagógico. Para que uma técnica sirva como ferramenta educativa libertadora deve ser utilizada em função de temas específicos, com objetivos concretos e aplicados de acordo com os participantes com os quais esteja trabalhando.

Terapia Racional Emotiva: Método dos doze passos

Reunir informações para que o paciente, pondo em prática seus ensinamentos, reúna condições de melhor qualidade de vida.

Laborterapia

Tem por objetivo proporcionar ao interno o senso de responsabilidade, recebendo tarefas compatíveis ao seu estado geral, devem cuidar de seus objetos pessoais, asseio e arrumação do seu ambiente de convivência, e em muitos casos reeducando a pessoa aos conceitos mínimos de higiene pessoal e ambiental, que muitas vezes são perdidos no pleno uso de substancias psicoativos.

Espiritualidade

Sem cunho religioso, busca o reequilíbrio espiritual do indivíduo, com reuniões diárias de estudo bíblico.

O usuário deve ser abordado sob diversos prismas:

Orgânico - Efetuando a desintoxicação, através de alimentação balanceada, e uso farmacológico quando necessário sob orientação de médico psiquiatra responsável.

Mental - Através de uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos, terapeutas, e colaboradores, especializados no tratamento de fármaco-dependentes.

Disciplinar - Este método consiste em avaliações diárias da conduta do paciente,analisando sua capacidade em seguir regras , cumprir metas , conduta social perante seus colegas de internação e interação aos membros das equipes clinica e disciplinar.

O dependente deve ser mantido em regime de internato por um período, onde serão feitas avaliações psiquiátricas e psicológicas e as diversas atividades terapêuticas propostas.

O prazo do tratamento proposto deve contemplar todos os estágios acima descritos e as respectivas terapias, sendo um prazo adequado para a permanência de no mínimo 240 a 270 dias sob regime de internação dependendendo da evolução do interno.

Logo após este período o pós-tratamento deve adequar se as necessidades de cada individuo.

Muito importante é a participação dos familiares nas reuniões de tratamento familiar, tem por objetivo, a participação do processo terapêutico e conscientização de como a co dependência influencia no sucesso ou não do programa de tratamento.

                                                                                                                          Carmelo J. Serra

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