segunda-feira, 18 de abril de 2016

Família e Recuperação


Sei na prática da importância da família no tratamento de usuários de drogas (o álcool, uma das mas potentes), e quando se fala em tratamento não apenas devemos focalizar o familiar envolvido no uso, mais os membros da família subjetivamente, de preferencia.
O núcleo familiar é com toda certeza uma parte importante no tratamento de Dependentes Químicos, e não somente isso, a mesma família fica exposta e doente por causa da doença da Adicção as drogas ou abuso de álcool
A família, fica em estado de alerta por muito tempo, anos em alguns casos, ao conviver com um dos seus membros com serio comprometimento de conduta e hábitos, por causa dos comportamentos  que acompanham o usuário de S.P.A.
O resultado disto, muitas vezes e bastante agressivo quanto a funcionalidade desta família, se instala a Co-dependência Emocional, que implica numa serie de pensamentos-emoções-acoes que estão distantes de ser assertivas, antes, durante e depois do tratamento ao que se submete o usuário.
Muitas vezes a mesma família que em desespero busca a internação do membro, ela mesma sabota o tratamento, contrariando e não colocando em pratica direcionamentos dos consultores e outros profissionais da clinica, em outras ocasiões a família esta tão doente, que nem mais quer saber do familiar em tratamento, desligando-se completamente dele, e colocando a culpa da própria disfuncionalidade nele.
A família tem um papel realmente preponderante no processo de reabilitação, e ela precisa também de um processo de revisão, com certeza, não só para preparar o terreno para a volta ao convívio com o familiar em tratamento, mais pela família em se.
Alguns dos tratamentos mas bem sucedidos no dias de hoje, são aqueles que envolvem o núcleo familiar diretamente com o tratamento do usuário, a fim de rever valores e posturas e evitar deste modo uma possível recaída, ou minimizar esta intercorrência, isso acaba por ter um impacto positivo na família com um todo, tanto no pós-tratamento do individuo, quanto no convívio dentro de casa.
Depois de alguns anos de acompanhar usuários de químicos, e algumas das famílias destes, percebi que a grande maioria dos dependentes químicos teve as facilitações sociais e familiares favoráveis para a experimentação de drogas, seja por pai ou mãe (ou os dois) usuários de algum tipo de droga, ou algum familiar do convívio, disgregação familiar, banalização de valores, ou mesmo ausência de pautas e regras de convívio familiar, divorcio, transtornos de comportamento na família, só para citar alguns sintomas de condicionamento ou possíveis causas para o uso de drogas ou abuso de álcool.
  Quando a pessoa e retirada do convívio da família, e passa vários meses longe da mesma, quando o tratamento na clínica e bem sucedido, e chega ao fim, porém a família não e abordada e conscientizada de que a doença da Dependência Química é uma doença familiar, ela pode se transformar num grande agente facilitador da volta ao uso, lembrando que o tratamento se mostra insuficiente para que o ex-interno tenha a maturidade emocional necessária para fazer escolhas exatas, ou colocar em pratica um plano de prevenção de recaídas, por outro lado a família em tratamento se transforma no maior agente de pós-tratamento pois ela acompanha o ex-usuário quase que 24 horas ao dia.
Isso esta registrado não só na experiencia, mais em estudos muito sérios, que demostram que o tratamento que tem a cooperação da família, e nos quais a família esta inclusa, tem um índice de recaídas muito menor, do que aqueles que apenas se focam somente no usuário.
Então, podemos dizer que a família deve ser acompanhada, e tratada, com a mesma seriedade do que se tratam os mesmos dependentes químicos.
A isto chamamos de Processo Sistêmico de Tratamento.
O Dependente Químico não e culpado da sua doença, mais, responsável pela boa vontade de se submeter ao tratamento e praticar os conceitos de recuperação que ele aprende durante meses na clinica, a família do mesmo modo deve, se realmente quer o seu familiar de volta das drogas,
reconhecer que ela tem uma grande parcela, da mesma responsabilidade, e a ausência de qualquer culpa..

                                                                                               
           Carmelo J. Serra
       " O caminho que leva a lugar nenhum é o único que não tem obstáculos a serem vencidos"

Nenhum comentário:

Postar um comentário