Pesquisas na área de dependência química têm revelado a importância da família como fator de proteção e prevenção à recaída. Nos últimos anos, a adição e suas consequências na vida do indivíduo e sua família têm sido consideradas um problema de saúde pública, sendo um fenômeno de grande relevância social e acadêmica, já que seu tratamento implica na articulação de múltiplas abordagens terapêuticas.
Entre as modalidades de tratamento adotadas nestes casos, as mais
comumente utilizadas são as internações em comunidade terapêuticas (CT) ou clínicas de desintoxicação, os atendimentos
nos centros de atenção psicossocial para álcool e outras drogas (Caps Ad) e a
participação de grupos de apoio, também chamados de grupos de auto-ajuda.
As CTs são modalidades de atenção à saúde
surgidas na Grã-Bretanha na década de 1940, utilizadas para tratamento de
pacientes psiquiátricos crônicos e posteriormente adaptadas à terapêutica de
dependentes químicos. Constituem-se em
espaços de tratamento de longo prazo para psicodependentes, administrados em sua maioria por Dependentes Químicos em recuperação e suas famílias. Os residentes,
assim chamados os pacientes internados na CT, precisam permanecer um período que pode variar de seis a nove meses sem qualquer recaída para obterem alta ou graduação. A
partir de então, podem permanecer na instituição, como monitores,
se assim desejarem.
Já as clínicas de desintoxicação podem ser
centros de tratamento específico, destinados a pacientes droga dependentes ou alcoólicos, como também
leitos demarcados em hospitais gerais públicos ou privados, consistindo uma
forma relativamente segura, que visa monitorar sintomas de abstinência,
controlando complicações físicas e psicológicas, segundo o Doutor Ronaldo Laranjeira, a desintoxicação é a primeira fase do tratamento. Nesta modalidade terapêutica, os índices
de abstinência após a alta é relativamente maior quando o paciente é
acompanhado por cuidados ambulatoriais posteriores, inserido em programas de
acompanhamento psicológico.
Os CAPS Ad constituem-se em unidades locais
de saúde pública regionalizadas que oferecem atendimento especializado a
usuários de álcool e outras drogas, criados em substituição aos hospitais
psiquiátricos e seus métodos de tratamento do sofrimento mental.
Como opção terapêutica destacam-se, ainda,
os grupos de auto-ajuda, coordenados por ex-usuários ou algum familiar
envolvido com uso/abuso/dependência de drogas. Destacam-se os AAs (Alcoólicos
Anônimos) e os NAs (Narcóticos Anônimos), reconhecidos e atuantes nos cinco
continentes desde 1935, tendo sua origem nos Estados Unidos e posteriormente,
difundido ao redor do mundo. A família que convive com o problema da dependência química pode ser considerada uma rede de inter-relações na qual
seus valores, crenças, emoções e comportamentos, influenciam os membros da
família e são, por ela, influenciados.
Nesse sentido, a terapia familiar se faz imprescindível como modalidade terapêutica que contribui
para a mudança do comportamento abusivo e qualidade de vida familiar. Com isso,
do ponto de vista sistêmico, o abuso de álcool e a Dependência Química podem ser entendidas como sintoma da
família, em que o doente não é apenas o paciente identificado, mas todo o
sistema familiar. Assim, a família busca ajuda para o familiar adicto sem,
contudo, modificar suas relações. Quer dizer o usuário parece ficar
refém de uma família que resiste a mudanças.
Carmelo Jose Serra Seoane
"A melhor maneira de não cometer erros, é não fazer nada"

Nenhum comentário:
Postar um comentário