sexta-feira, 10 de junho de 2016

Meu familiar esta internado. O que devo fazer para ajudar?



A Família tem um papel fundamental no processo de tratamento da Dependência Química e o Alcoolismo, este papel representa um ponto positivo desde que sejam observadas pautas e diretrizes para criar um âmbito favorável a reabilitação e extremamente negativo quando a família se mantém apenas como observante, sem se envolver com o processo, a família que não se informa sobre estas doenças não adquire as ferramentas necessárias e imprescindíveis para lidar com situações que ocorrem durante e depois do tratamento do familiar internado e assim mesmo muitas vezes não percebe que o uso de substancias é apenas a parte visível de um problema muito mais grave e profundo.

Muitas famílias acreditam que uma vez internado o familiar, que sofre destas doenças, o problema já esta resolvido, que só o fato da internação vai resolver a situação, muitas famílias se posicionam como se o problema fosse a própria pessoa e não como deve se posicionar,  que a pessoa tem um problema, muitas vezes dito problema esta enraizado no seio de todo o convívio desta pessoa, poucas famílias entendem a profundeza e a complexidade destas doenças, poucas observam a dependência de álcool ou drogas de uma maneira mais ampla, sendo que um dos sintomas da co-dependência familiar é justamente este, a negação a minimização e a racionalização do impacto da adicção a substancias em todo o núcleo familiar.

A desinformação é um dos motivos pelo qual intercorrências, lapsos e recaídos acontecem e a gente deve aprender com isto.

A família precisa se informar, identificar responsabilidades e contribuir com a melhoria da qualidade de vida que foi bastante comprometida pelo tempo em que a Dependência Química e o Alcoolismo ocuparam o centro das atenções, e ao mesmo tempo em que o familiar esta internado criar as condições ideais para que a auto obsessão do núcleo se retire junto com a compulsão por substancias no familiar em tratamento.

A recuperação é um movimento de toda a família, isto eu mesmo tenho observado durante todos estes anos de trabalhar com dependentes químicos, assim tenho visto o sucesso do grupo familiar em conjunto, quanto o fracasso das individualidades condicionadas pelas emoções, ressentimentos e culpas, que são inúteis.

Se observamos estas doenças sob o prisma comportamental percebesse claramente a raiz familiar do mesmo, não que a família tenha alguma culpa disto, porem a responsabilidade não pode deixar de ser apontada, de maneira que a recuperação aconteça da melhor maneira.

A família deve revisar a sua dinâmica, a fim de contribuir com a reabilitação não só do familiar internado, mais com todo o núcleo familiar.

Pode parecer algo chocante, ate assustador, porem necessário admitir e aceitar que o problema vai alem das drogas ou o álcool, e que atinge todos, de uma maneira ou outra e que isto deve ser tratado com toda seriedade e compromisso se realmente se quer resolver o problema.

Aqui vão algumas diretrizes que certamente fazem uma grande diferença no processo de tratamento se aplicadas e observadas.

È importante saber que as equipes de trabalho nas instituições de tratamento são treinadas para ajudar na solução de crises que podem acontecer durante o tratamento, desde que elas sejam informadas por parte dos familiares, desta maneira o triangulo, família-familiar em tratamento e equipe funciona da maneira adequada e as chances de sucesso aumentam bastante.

Não passe informações de crises de nenhum tipo pelo telefone, e se isto se faz necessário peça ajuda a  equipe do centro de tratamento onde o seu familiar esta internado, eles criaram as condições e passaram esta informação da melhor maneira a fim de minimizar a possibilidade de interrupção do tratamento.

Não determine o tempo de permanência pelo telefone ou mesmo antes da internação, comunique esta decisão a equipe. Quando a pessoa chega à internação sabendo que a sua permanência já esta determinada ou quando esta permanecia é determinada pelo telefone, sem conhecimento da equipe de trabalho, automaticamente ela se diferencia do resto do grupo em tratamento, seleciona as informações que quer colocar em prática e dificulta a abordagem, a eficácia do tratamento se reduz drasticamente.

Evite as emoções extremas durante a ligação. Sentimentos como a raiva e a tristeza são normais que aconteçam, porem estes sentimentos quando são gerados no contato com a família dificultam bastante qualquer tipo de abordagem e potencializam a possibilidade de interrupção do tratamento, a família deve se preparar para este contato e tentar manter o controle emocional durante o mesmo

Não se atemorize no caso de ameaça de fuga por parte do interno, comunique a equipe.Nas internações involuntárias o pensamento de fuga e mesmo as tentativas fazem parte do dia a dia, para isto as equipes são treinadas a fim de prevenir e evitar esta ocorrência, muitas vezes o interno verbaliza esta possibilidade no intuito de conseguir a diminuição ou mesmo a interrupção do tratamento.

Não faça promessas ou minta para o parente em tratamento. A família atemorizada tenta negociar a internação, ou tenta acalmar o seu familiar recorrendo no momento de desespero a falsas promessas ou mesmo mentindo a fim de conseguir que ele se trate, isto pode ate surtir efeito no momento, porem em médio prazo tem o efeito contrario, seja sincero, a transparência é uma das ferramentas de todo o tratamento e deve nortear a comunicação entre toda a família e seu familiar internado.

Não tome decisões, não tente amedrontar,não ameace o familiar em tratamento. O uso de substancias psicoativas e álcool são o gatilho de muitos prejuicios na família, o momento da internação não é o mais adequado para abordar isto, lembre, o objetivo e devolver a família e a sociedade indivíduos funcionais, naturalmente o tempo da admissão da culpa e a reparação chegarão, se todos colaboram com isso.

Mantenha a calma e o controle da situação na ligação.O controle da ligação ou mesmo da visita deve estar na família e não com o familiar internado, não seja excessivamente protetor nem concorde com as criticas que possam ser feitas  por ele, o contato com as famílias se transforma muitas vezes num relatoria de como a pessoa esta sendo “maltratada” ou “injustiçada”, se informe, converse com os membros da equipe e visite as instalações da clinica sempre que possível, fale com familiares de outros internos.

Qualquer situação anormal ou postura diferente das de costume comunique a equipe. Ninguém conhece melhor que a família os comportamentos tanto positivos quanto negativos da pessoa internada, converse com a equipe, fale com os membros diante de qualquer comportamento anormal ou estranho na sua visita.

Não marque visitas pelo telefone com o seu familiar, faça isso com a coordenação. As visitas são programadas e parte do processo de tratamento, elas devem ser marcadas junto a equipe que prepara o interno para ela, assim mesmo a família deve se preparar, a fim de que esta visita tenha os efeitos positivos esperados, seja para a pessoa internada ou mesmo para a família dela. 

Não passe a ligação a terceiros, não terceirize a ligação com outras pessoas. As ligações são autorizadas apenas para familiares diretos, não apara amigos ou conhecidos autorizados, isto é recomendado por questões de segurança do interno e andamento do tratamento. Do mesmo modo evite portar celular na visita na clinica a fim da evitar isto.

Evite os excessos nos produtos que a família trará para seu familiar na permanência.Muitas vezes o dependente químico não sente o resultado do prejuiço do uso de substancias ou álcool, a internação não é castigo ou punição nem muito menos premio, evite os excessos nos produtos que traga para ele, leve ao indispensável, ainda quando o mesmo interno subsidia o custo do tratamento, a reabilitação é um processo de equilíbrio, pratique isso do primeiro momento.

Na sua visita a família deve vigiar a postura diante do familiar em tratamento, isto referisse a maneiras de se comunicar com o interno quanto a palavra e decoro de todos os componentes. A família deve selecionar e prepara todos as pessoas que vão visitar o familiar em tratamento a fim de que a linguagem seja única e com o mesmo objetivo que é contribuir inicialmente com a conclusão do tratamento, certifiquesse que todas as pessoas que vão ir na visita tenham este ponto como prioridade e compram os outros requisitos acima descritos.

O contato com o familiar em tratamento é fundamental e deve acontecer com regularidade, estas diretrizes visam a otimização do resultado de todo o processo que nada mais é que a volta da pessoa a sua origem da melhor maneira possível.

                                                                                                                       Carmelo J. Serra




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