Falando de Dependência Química com meus internos aqui na clinica hoje na manhã me lembrei de alguns detalhes importantes dentro do processo de mudança necessário para alcançar uma abstinência de substancias psicoativas, que seja continua e com qualidade de vida.
Inicialmente preciso me lembrar das limitações, e além disso do tempo, tempo que é gasto em buscar meios e maneiras de utilizar drogas, até isso se transformar em cronico, colocando as drogas acima de todo e mesmo acima da própria pessoa, passam-se anos nesse caminho de destruição, quer dizer que para resgatar a quantidade de valores internos que foram caindo ao longo de todos esses anos, também é necessário perceber que se precisa de um bom tempo, tal vez o resto da vida para que esse retomada de valores aconteça de maneira real e profunda.
Por extensão disso se faz imprescindível a tolerância como ferramenta para acompanhar esse tempo e para ajudar a pessoa a não desanimar, quando com certeza algum que outro erro apareça na frente, erro próprio e erro alheio.
As vezes acontece que a reabilitação é idealizada como se fosse uma ato de mudança imediato ao parar de usar, isso é um grande erro na verdade quase uma condenação a frustração, e isso é muito perigoso, pois dependentes químicos não reagem bem as frustrações.
Na verdade que apenas começamos a recuperação ao se manter abstêmio de drogas ou álcool, mais, assim como o tempo necessário as mudanças é indispensável, assim o tempo é fundamental para reforçar a abstinência primaria.
Eu comparo a reabilitação com o Mergulho Submarino, existe todo um processo e um preparo para cada profundidade, preparo que começa em terra, depois tem a profundidade mínima de uns poucos metros onde o mergulhador se acostuma e se adapta e isso se repete não uma, mas muitas vezes e assim sucessivamente vai se aumentando a profundidade do mergulho até alcançar profundidades impensáveis, a recuperação não é muito diferente disto, primeiro aprendemos a ficar abstêmios de substancias, e depois de um longo preparo e tempo é que vamos nos aprofundando dentro de nos mesmos, observando e detectando aquilo que deve ser modificado, e o que podemos realmente modificar.
Eu me lembrei disto ontem na verdade, na reunião de família, depois de um terço da minha vida envolvido com reabilitação e recuperação de pessoas adictas e co-dependentes, percebo e até compreendo que a família quer que o indivíduo em tratamento mude quase que da noite para o dia, em alguns poucos meses e muitas vezes cobra isto provocando crises que muitas vezes a pessoa não esta preparada para encarar
Te até têsis sustendo a ideia de mudança instantânea, como se o ser humano tivesse algum tipo de comando que possa ser acionado para que comportamentos e hábitos que se instalam e se repetem durante anos a fio pudessem como por arte de mágica desaparecer.
Na verdade a mudança de posturas ou pensamentos é fruto de um trabalho de observância, detecção e planejamento que acontece as vezes muito tempo depois de que a pessoa para de consumir drogas.
Com isto não quero dizer que é impossível acontecer que a mudança não comece ao mesmo tempo que a abstinência primaria na pessoa em tratamento, em verdade já o ato de parar de consumir é em se uma mudança de hábito, mais em se falando de mudanças profundas de personalidade ou caráter, de pontos de vista, interpretação do entorno e tudo o que compreende as tomadas de decisão, se precisa do tempo necessário para adquirir a maturidade emocional a fim dessa mudança acontecer de forma gradual e saudável.
O motor das nossas ações é o pensamento, quer dizer que o primeiro desafio que todo alcoólico ou dependente químico tem pela frente uma vez abstêmio é a mudança dos pensamentos, e nos sabemos até por própria experiência o quanto tempo leva para um pensamento ser modificado
Carmelo J. Serra

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