Sua grande oferta somada a falta de controle sobre a venda sem receituário médico e sobre a propaganda na mídia, tem levado muitos usuários a ficarem dependentes.
Outra droga que destaca são as anfetaminas, utilizadas num primeiro momento para substituir a cocaína. As anfetaminas são drogas sintéticas estimulantes do sistema nervoso central que inibem a sensação de fome, sono e cansaço.
Falando sobre o uso de anfetaminas, este se tornou comum pelos efeitos estimulantes entre estudantes, esportistas, militares e homens de negócios, e pelos efeitos antidepressivos e em regimes de emagrecimento e na Segunda Guerra Mundial foram consumidas pelas forças armadas de vários países. O Japão experimentou uma verdadeira epidemia onde em 1950 já havia cerca de 500 mil dependentes dessa droga, apesar das campanhas contra seu uso que eram feitas pelo governo.
Atualmente as anfetaminas ainda são muito usadas, nem sempre de forma responsável, como moderador de apetite.
O fenômeno do uso de drogas na sociedade ocidental está extremamente vinculado ao movimento da Contracultura iniciado ao final da II Guerra Mundial.
O movimento “beat”, com impacto especial no campo das artes foi o precursor de uma transformação que de início mobilizou jovens americanos, concomitantemente a guerra do Vietnã, e repercutiu no mundo, principalmente entre os jovens da Europa e da América Latina.
Eles propunham uma crítica radical a sociedade de então. Enfatizavam a liberdade individual associada a causas sociais de diversos tipos. Autoridades como a família e o Estado foram contestados. Valorizava-se o erotismo assumido e exaltava-se a liberdade sexual. E o consumismo da sociedade de massas foi duramente criticado. o movimento hippie se colocou como a expressão mais conhecida desses valores, divididos em vários grupos e linhas e que o pacifismo era uma de suas bandeiras, reagindo contra a guerra do Vietnã. E o uso de drogas como a marihuana, haxixe, maconha e derivados constituiu-se como marca da relação deles com o mundo.
O LSD, cogumelos e outros tipos de alucinógenos também eram usados mas não de forma tão generalizada.Estas substancias têm a capacidade de interferir na percepção da realidade alterando a consciência, trazendo perturbações intelectuais e psicossensoriais.
De maneira geral estimulava-se o uso comunitário das drogas e no Brasil destacaram-se a maconha e o LSD Aqui, grande parte dos jovens engajados politicamente, usaram, com frequência diversificada, certos tipos de drogas, principalmente a maconha.
Nas últimas décadas do século XX a cocaína reaparece de modo epidêmico.
No Brasil, em finais dos anos 80, pela via de administração intranasal e endovenosa. E o final do século foi marcado pela associação entre consumo de drogas e infecção do HIV. A partir de 1990 o consumo do crack (uma mistura de cocaína e bicarbonato de sódio, aquecida e fumada na forma de pedra) teve grande
expansão, principalmente entre jovens com menos de 20 anos de todas as classes sociais mas sobretudo das classes mais baixas.
O potencial de dependência do crack e o baixo custo favoreceram muito o aumento de seu consumo. Em São Paulo existe até um local denominado de cracolândia, tamanha foi a sua disseminação. No Rio de Janeiro o crack não teve mercado e acredita-se que isso se deu em razão dos traficantes dos diversos
morros terem proibido sua entrada aqui por não interessar comercialmente. Ao contrário, prejudicaria o “movimento”* por causar dependência muito rápida interferindo assim na permanência do “cliente”*, pois pelas sérias consequências que é capaz de causar reduziria significativamente o potencial de consumo destes,gerando impacto nas vendas. Sabe-se que a cocaína é a droga por excelência nas “bocas”* do Rio de Janeiro. Apesar disso, um número cada vez maior de pacientes atendidos em instituições de tratamento do Rio de Janeiro relatam uso do crack aqui, o que na maioria se deve a fabricação ser “caseira”*.
Os agentes inalantes foram usados em todas as épocas por seus efeitos euforizantes. Cada época teve preferência por determinado produto. Atualmente são utilizados principalmente as colas (que contêm acetona, hexano e benzeno), os solventes, removedores e diluentes de tinta (contendo acetona), os anestésicos voláteis (o éter, protóxico de nitrogênio) e os gases (a gasolina e os gases do escapamento de automóveis).
O abuso de inalantes se deu a partir da década dos anos 60 nos EUA.
Já no Brasil estes têm sido usados desde cedo, principalmente a cola, fora das situações ocupacionais, por crianças e adolescentes de rua e por estudantes.
Como droga mais recente aponta o êxtase ou ecstasy, derivado sintético da anfetamina, conhecido como “droga do amor”- ideia difundida por autores que pregavam seu uso terapêutico – demarcando seu surgimento na Europa em finais da década de 80. Desde então seu consumo tem aumentado entre jovens de vários países, inclusive no Brasil.
Tecendo um análise sobre a história das drogas dentro do movimento hippie em relação ao quadro atual de consumo, é preciso diferenciar o contexto do uso de drogas dentro da proposta da contracultura, seja no mundo ou no Brasil, que associava-se a um ethos pacifista com flores e música, do contexto mais recente do consumo destas substâncias. Asdrogas passam a ser motivação para o desenvolvimento de um tráfico criminoso com redes de banditismo caracterizadas pelo uso indiscriminado da violência, que influenciou a vida das grandes cidades, inclusive, nas próprias relações sociais.
Carmelo J. Serra
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