Na América foram encontradas cerca de 100 espécies de plantas alucinógenas, e
na Europa e Ásia juntas, somente 10.
A cultura da papoula do ópio se originou na Europa e Ásia Menor e já foi
denominado de planta da felicidade. Há registros sumerios datados de 3000
anos a .C. que falam de seu uso medicinal e o próprio Homero o menciona como
algo “que faz esquecer o sofrimento” em sua Odisséia.
O ópio é um depressor do sistema nervoso central, com propriedades sedativas e analgésicas.
A morfina, heroína e codeína são dele derivadas. A morfina é um alcalóide de ópio usado como analgésico. A heroína é um derivado semi-sintético da morfina e é considerada uma droga ilícita.
No Brasil o ópio e seus derivados atualmente considerados substâncias ilegais já foram utilizados em várias medicações como em xaropes para tosse ou mesmo para “acalmar as criancinhas”, sendo vendido nas farmácias até o início do século XX. Já a China, por razões econômicas, se colocou como maior país de consumo do ópio até 1950
O consumo de álcool esteve presente como costume desde a antiguidade e
particularmente o vinho foi considerado uma dádiva dos deuses. Osíris deu-o aos egípcios, Dionísio o fez aos gregos e Noé aos hebreus. Os mosteiros da Idade Média plantavam vinhas para uso do vinho como sacramento.
O cânhamo origina-se da Cannabis sativa, espécie herbácea advinda da Ásia Central. Na antiguidade foi utilizado por sacerdotes indianos em cerimoniais por suas características inebriantes. Da Índia difundiu-se para o Oriente próximo e para países do norte da África.
A cannabis é utilizada nas seguintes formas: resina (haxixe), no estado natural, onde as folhas são colhidas, secadas e trituradas e então fumadas (maconha) e o haxixe líquido (destilado oleoso bastante concentrado) que pode ser sorvido e, até injetado por via venosa.
Há cerca de 2000 anos a medicina chinesa a utilizou como anestésico em cirurgias e a medicina indiana como hipnótico, analgésico e espasmolítico.
Na China foram encontrados os primeiros registros do cânhamo aproximadamente 4000 anos a.C.. Na Europa foi introduzido no século XIX por médicos ingleses que passaram pela Índia. Já no
Brasil, fortes evidências indicam que a maconha tenha sido trazida pelos escravos
africanos e se expandido por quase todo território e seu uso passado dos negros
para índios e brancos.
Os Estados Unidos a adotam como medicamento também no século XIX, mas ao final deste e no início do século XX houve um declínio de seu uso médico, possivelmente por razões técnico-farmacêuticas – o não isolamento de seu princípio ativo – e por problemas no campo legal e policial. O avanço científico nas áreas da química, botânica e farmacologia possibilitou identificar na planta, em 1964, o tetrahidrocanabinol como princípio ativo alucinógeno, como també identificou a existência de dezenas de outras substâncias canabinóides, isentas desses efeitos alucinógenos. Com isso os prováveis efeitos terapêuticos da
maconha voltaram a ser pesquisados na década de 70, e tem influenciado o debates obre sua descriminação.
Os conquistadores da América ficaram maravilhados com sua riqueza botânica. O Novo Mundo era fonte inesgotável com relação às drogas.
A cocaína é um estimulante natural extraído das folhas da Erythroxylon coca, planta que cresce nos Andes, principalmente na Bolívia e no Peru, como também no Equador e Chile. Os nativos da América do Sul tinham por hábito mascar suas folhas para suportar o trabalho em altitudes e a dieta inadequada.
É difícil saber ao certo quando o hábito de mascar as folhas da coca iniciou. Supõe-se que desde o século VI a. C. isto já ocorria por terem surgido evidências de que múmias tenham sido enterradas com componentes da folha.
No século XIX foi isolada a cocaína, alcaloide obtido da folha da coca.
Considerada euforizante, a cocaína foi utilizada como antídoto dos depressores do sistema nervoso e no tratamento do alcoolismo e da morfinomania. Nessa mesma época foi utilizada como anestésico local em cirurgia oftalmológica. A cocaína pode ser usada de várias maneiras: mascada (forma comum na cultura dos povos andinos), aspiração nasal (sendo absorvida diretamente na mucosa nasal) em injeções endovenosas e na forma cristalizada, fumada como cigarros, o chamado “crack”.
Em 1863, na Europa, o médico Ângelo Mariani lançou o vinho Mariani, feito das folhas da coca, que conseguiu grande prestígio tendo sido apreciado por pessoas de destaque como o Papa Leão XIII, Júlio Verne, Victor Hugo e o czar da Rússia. E nos EUA, em 1910 já haviam cerca de 69 tipos de vinho contendo cocaína. A própria coca-cola, refrigerante consumido mundialmente até hoje, tinha esta como ingrediente ativo até 1903, quando foi substituída pela cafeína.
No caso do Brasil, a cocaína esteve presente também em medicamentos para alívio de problemas respiratórios e que até o início do século XX não havia relatos de abuso ou grandes problemas com esta. A partir de 1910-1920 é que se inicia uma forte preocupação com o uso nãomédico da cocaína, principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Ao longo da história da humanidade, diversas substâncias foram usadas como estimulantes. Café, cafeína, estriquinina, arsênico, tabaco e nicotina são exemplos.
Carmelo J. Serra
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