Definição de Risco e Dano
Risco pode ser definido como a possibilidade ou probabilidade da ocorrência de um evento. O dano prevê a ocorrência do evento em si 4. Assim, esses termos não deveriam ser usados como sinônimos porque, inclusive, estão relacionados a campos diferentes de atuação dentro do contexto de uso de droga. A redução do risco está no campo da prevenção e visa a evitar ou diminuir as chances de que um evento perigoso à saúde ocorra. A redução de danos prevê ações que diminuam os danos inerentes a um evento perigoso que já vem sendo praticado por indivíduos ou grupos de indivíduos.
Relação entre uso de drogas e danos
Comportamentos de risco não resultam necessariamente em danos. Existem, por exemplo, indivíduos que fumam por muitos anos e se mantêm saudáveis, ou ainda indivíduos que não usam capacete ao pilotar suas motocicletas e não sofrem acidentes. Contudo esses fatos não alteram a relação clara desses comportamentos de risco com a possibilidade de danos. Além disso, alguns comportamentos de risco, sabidamente relacionados com danos, podem ser praticados por muitos anos antes que ocorra o dano propriamente dito. Que tipos de dano podem ser associados ao uso de drogas? Alguns tipos de danos hepáticos e cerebrais, por exemplo, estão associados ao uso e álcool ou barbitúricos. Estes danos estão relacionados ao próprio efeito da droga no organismo. Outros danos, porém, estão associados com a forma de utilização (por exemplo, os utensílios utilizados). Fazem parte deste grupo as infecções p or h hepatite B, HIV e hepatite C por compartilhamento de equipamentos de injeção. Outro exemplo se relaciona às drogas de aspiração, como aerossóis, resultando em laringospasmo. Existem, ainda, os danos associados com o contexto no qual a droga é usada, como, por exemplo, acidentes automobilísticos associados ao comportamento de beber e dirigir. No estabelecimento de políticas públicas de redução de danos é preciso ter em foco qual o tipo da relação existente entre as drogas e os danos associados ao uso, e quais danos se pretendem minimizar. A política de redução de danos, estabelecida em 1996 pelo governo do estado de São Paulo, visava a minimizar o contágio por HIV, hepatites B e C associado ao uso de drogas injetáveis por compartilhamento de seringas ou agulhas, bem como as doenças sexualmente transmissíveis pelo comportamento sexual de risco, comum entre os usuários de drogas injetáveis. Essas ações podem ser entendidas como preventivas se tivermos como foco o indivíduo: são ações que objetivam diminuir o risco de os indivíduos contraírem HIV ou outras doenças transmissíveis por contato sanguíneo e sexual. Entretanto o foco da redução de danos está na população, ou seja, do ponto de vista epidemiológico, a redução de danos visa a minimizar danos à sociedade que sofre uma epidemia de HIV e outras doenças. A troca de seringas e agulhas foi uma estratégia que claramente tinha em vista minimizar o dano relacionado à contaminação por HIV, sífilis e hepatite numa população bem definida e que obteve resultados positivos, demonstrados em diversos trabalhos científicos..

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