Isto de modo algum é critica, a manutenção de uma equipe treinada e multidisciplinar com conhecimento e preparo técnico e uma estrutura adequada para o processo não é de custo baixo.
Isto além de ser justo e necessário, eu diria fundamental para colher um bom resultado, o problema não esta exatamente nesse ponto.
O problema das ré-insidencias e das recaídas esta noutro ponto, nem mesmo precisasse de uma estrutura muito sofisticada para o processo de tratamento, apenas esta estrutura deve proporcionar ao interno um mínimo de qualidade, porém a qualificação da equipe se faz indispensável para um tratamento eficaz.
Queria apontar aqui algumas falhas nos tratamentos oferecidos, não para criticar, pois isso não melhora em nada a situação, mais para prevenir, pois um tratamento que não é assertivo do começo ao fim, pode ainda agravar a situação e isto deve ser evitado.
Quero falar um pouco da informação que a família deve ter da doença da Dependência Química antes mesmo de tentar a internação da pessoa, a tendência ao ser descoberto o usuário é que a família já pense em interna-lo, isto é compreensível dadas as informações distorcidas que muitas vezes a família recebe quanto a doença da Dependência Química e do Alcoolismo, também o desespero é compreensível pois estas doenças matam e são de extrema gravidade, por isso mesmo é que a família do usuário deve ser o mais racional possível, o primeiro a ser feito precisamente não é pensar em internar a pessoa, mais procurar um profissional que detecte se essa internação e realmente necessária nesse momento, qual é o tipo de droga utilizada, em que intensidade e com que frequência a pessoa faz uso, o impacto que a droga usada esta fazendo no indivíduo em todas as áreas da vida do mesmo e se este e o verdadeiro problema a ser tratado.
Sejamos honestos, o álcool e as drogas fazem parte de grande parte do quotidiano da sociedade, seja direta ou indiretamente, e não pode ser que pelo uso recreativo ou mesmo relacionado a outro problema pelo qual a pessoa esteja passando (importante lembrar aqui que o diazepam é uma das drogas mais utilizadas nos dias de hoje), já corramos para saber onde vamos internar a pessoa usuária por um tempão, até o mesmo "renascer"!
Não estou minimizando aqui a gravidade do uso de drogas, apenas dando a dimensão que creio que isto deve ter, com certeza existem casos que devem ser abordados com muita urgência, mais, a grande maioria das pessoas que se encontram no uso cronico ou agudo de álcool e outras drogas já passaram por tratamento e isso eu quero evitar.
Também aqui não estou culpando o tratamento pelo agravamento ou o aumento da intensidade do uso, eu estou apontando apenas que o tratamento mal feito, com uma equipe mal preparada e a desinformação da família no inicio podem ser definidores do fracasso no mesmo, com certeza.
Claro que não da para esquecer que o usuário deve estar disposto ao tratamento, porém existem meios que podem ajudar a esta predisposição, meios técnicos e meio legais e família deve também saber disto.
Também é importante saber que para cada estagio do uso, desde o uso recreativo até o uso cronico de qualquer droga, seja esta lícita ou ilícita, existe tratamento adequado, o que preocupa é que se o indivíduo for abordado da maneira errada e se não for traçado um plano individual para cada perfil e estagio de uso pode se cometer o erro de superdimensionar a gravidade e submeter a pessoa a um tratamento que não é o adequado nesse momento.
Então imaginemos agora que foi detectado o uso cronico ou agudo, que já se tentou a abordagem ambulatorial, que já foi tentada a frequência da pessoa em grupos de autoajuda (A.A e N.A entre outros) e seja necessária a internação.
Temos hoje em dia muitas modalidades de tratamento que vão de 30 dias numa unidade multidisciplinar, tratamentos de 28 dias cíclicos, quer dizer que a cada 28 dias a pessoa é avaliada e se for necessário passa por mais 28 dias de tratamento (método MInnessota), tratamentos de media permanência de 90 a 120 dias e de longa permanência de 6 a 9 meses ( metodologia Day Top)
Não quero entrar aqui no mérito de qual pode ser melhor de todos os métodos oferecidos, apenas apontar algumas características que TODO tratamento deve ter.
1- As abordagens devem definir características individuais da pessoa e sua família
2- Todas as estruturas de tratamento devem ter médico, psiquiatra e psicólogo.
3- Todas as estruturas de tratamento devem ter abordagem familiar periódica
4-Todas as estruturas de tratamento devem ter um Programa Terapêutico de livre acesso as famílias dos internos e aos mesmos
5-As estruturas de tratamento devem ser adequadas a ANVISA art.19, inciso XII, da Lei nº 11.343/06, e art. 2º, inciso I c.c. art. 4º, inciso II, ambos do Decreto nº5.912/06
6-Todos os métodos devem contar com uma rede de pós tratamento individual e familiar.
7-Todos os tratamentos devem se adequar as diretrizes do NIDA, a saber:
National Institute of Drug Advertisement (click no link)
Estas são apenas algumas das características mínimas que TODA estrutura e equipe de tratamento deve obedecer.
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