quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A importância do Monitor no tratamento.

Atualmente no Brasil os monitores que desenvolvem trabalhos em Comunidades Terapêuticas são egressos de tratamentos nas mesmas comunidades, isso pode até ser positivo já que os mesmos por terem sido internos das mesmas comunidades conhecem do funcionamento e do cronograma do equipamento.
Porém esse conhecimento por se só não basta, isso de maneira alguma credencia essas equipes de ex-internos para trabalhar com usuários de S.P.A..
Muitas vezes estes monitores carecem de informações mínimas para exercer funções assistenciais ou conselheiraria de outros internos e em muitos casos essa falta de conhecimento agrava situações de crises dentro da C.T.
Isso sem falar da maturidade necessária para lidar com outras pessoas em situação de abstinência ou crises em geral em que se encontram a maioria dos internos em tratamento, essa falta de maturidade leva muitas vezes a desistências e tratamentos abortados que se traduzem em vários casos em reincidências de uso que podem ser evitadas se as equipes que trabalham nas estruturas de tratamento fossem preparadas adequadamente.
Na grande maioria dos casos o individuo dorme internado e acorda com um cargo de liderança para o qual não tem preparo minimo nem muito menos conhecimento.
Isto beneficia principalmente os donos de clinicas que não precisam pagar para terem nos seus quadros equipes bem formadas e preparadas para o trabalho terapêutico.
Muitas vezes esses monitores são voluntários e até continuam pagando tratamento enquanto se responsabilizam por um grupo muito numeroso de internos, o resultado disto é um grande desgaste para o mesmo recém nomeado monitor, e para todo o grupo de internos derivando em crises de vários tipos.
A utilização de internos recém saídos do tratamento ou ate mesmo antes da conclusão tem um impacto pra lá de negativo no índice de recuperação e no índice de qualidade de tratamento oferecido pela instituição, mais, é muito mais fácil jogar a responsabilidade ou justificar estas reincidências com argumentos como " ele não se deixou alcançar", ou "ele não queria recuperação, estava internado por causa da pressão familiar", do que olhar para a maneira e a qualidade dos tratamentos oferecidos, a estrutura da equipe, o preparo dos monitores, a formação dos mesmos e outro conjunto de falhas que as lideranças  das comunidades terapêuticas não acostumam olhar.
Sem falar que a informação passada por pessoas mal informadas para outras pessoas cria um circulo de pensamento e abordagem errôneo que tende a piorar muitas vezes o quadro de gravidade da Dependência Química;
Um monitor de qualquer comunidade terapêutica deveria ter acesso a cursos que o capacitem para o trabalho e esses cursos devem ter como minimo de conteúdo alguns pontos importantes ou mesmo vitais para a qualificação.
Estes são alguns pontos a serem observados em qualquer curso de qualificação:
* A formação de monitores não deve ter nenhum tipo de embaçamento religioso ou moral 
* A capacitação deve seguir conceitos científicos.
* Deve se estimular o público alvo a buscar atualização quanto às diretrizes do tratamento de pessoas que tenham transtornos pelo uso de substâncias psicoativas - SPA;
* É de extrema importância disponibilizar informações que priorizam o desenvolvimento de ações que expressam a valorização da vida;
*  Promover a autonomia e melhorar as relações sociais, também daqueles que ajudam no processo de tomada de decisão pela abstinência.
Algo de extrema importância é a necessidade de incutir no pensamento dos futuros monitores conceitos humanísticos e éticos desde o começo, priorizando sempre o respeito alheio.
Creio que desta maneira o índice de abstinência continua e qualidade de vida no pós tratamento será exponencialmente aumentada, e igualmente a qualidade de vida dos mesmo monitores.

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